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Combustíveis caem, e 'prévia da inflação' é a mais baixa desde o Plano Real

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 09h07Atualizada em 26/05/2020 10h44

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo 15), considerado uma prévia da inflação oficial (IPCA), ficou em -0,59% em maio, após fechar abril em -0,01%. É a maior deflação (queda de preços) desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

O resultado foi influenciado, principalmente, pela queda nos preços dos combustíveis. Por outro lado, os alimentos ficaram mais caros.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,35% e, em 12 meses, a variação acumulada é de 1,96%. Com isso, a inflação fica abaixo do centro da meta do governo para este ano, que é de 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, ou seja, podendo variar entre 5,5% e 2,5%.

Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Gasolina puxa queda

A gasolina, com queda de 8,51% no mês, foi o item que apresentou o maior impacto individual sobre o índice, contribuindo com -0,41 ponto percentual.

Também tiveram baixas os preços do etanol (-10,4%), do óleo diesel (-5,5%) e do gás veicular (-1,21%). Com isso, os combustíveis tiveram uma queda média de 8,54%.

As passagens aéreas, que assim como os combustíveis fazem parte do grupo Transportes (que tem o maior peso no consumo das famílias), registraram queda de 27,08%, após subirem 14,83% em abril. O grupo apresentou a maior deflação do mês.

Alimentação ficou mais cara

No lado das altas, o destaque ficou mais uma vez com Alimentação e bebidas (0,46%), embora tenha havido desaceleração em relação a abril (2,46%).

Dentre os alimentos que mais subiram estão:

  • Cebola: +33,59%
  • Batata-inglesa: +16,91%
  • Feijão-carioca: +13,62%
  • Alho: +5,22%
  • Arroz: +2,59%

Por outro lado, os preços da cenoura, que haviam apresentado alta de 31,67% no IPCA-15 de abril, caíram 6,41%. Além disso, as carnes (-1,33%) acentuaram a queda em relação ao mês anterior (-0,27%).

Juros x inflação

Para tentar controlar a inflação, o Banco Central pode usar a taxa de juros. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e estimular a queda de preços. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para impulsionar o consumo.

Na última reunião, o Comitê de Política Monetária do BC decidiu reduzir taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, de 3,75% para 3% ao ano. É a menor taxa desde que o Copom foi criado, em 1996.

Metodologia

O IPCA-15 refere-se às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, considerada a inflação oficial; a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.