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Homem é suspeito de aplicar golpe de R$ 1 milhão em bancos digitais

Valter teria provocado prejuízo de R$ 1 milhão a bancos digitais - Reprodução/Facebook
Valter teria provocado prejuízo de R$ 1 milhão a bancos digitais Imagem: Reprodução/Facebook

Marcelo Casagrande

Colaboração para o UOL, em Araçatuba (SP)

03/06/2020 19h12

A Polícia Civil prendeu hoje, em Araçatuba (SP), um homem apontado como mentor de um esquema de golpes a bancos digitais. Valter de Paula Petenati teria provocado um prejuízo de cerca de R$ 1 milhão de reais às instituições no intervalo de quatro meses.

As investigações apontaram que Petenati usava dados de pessoas interessadas em criptomoedas para aplicar os golpes. A maioria das vítimas era idosa. "Ele pegava os dados [dos interessados em bitcoins] e pedia para que as pessoas tirassem uma foto segurando o CNH ou o RG", revelou o delegado Fábio Daré.

Com essas informações — de cerca de 250 pessoas — o suspeito ia adiante, segundo a polícia, e abria contas em nome delas, por meio de aplicativo para smartphone. O procedimento inclui a necessidade do envio de uma selfie com o documento nas mãos como forma de evitar fraudes.

Após a abertura das contas, ele conseguia, de acordo com a polícia, ter acesso aos limites de crédito das vítimas. O dinheiro era transferido para contas pessoais dele em três bancos diferentes.

Sem medo e com ousadia

"A pessoa que trabalha com bitcoins já é acostumada a mexer com tecnologia. Ele usou esse know-how para aplicar um golpe inteligente, mas, não se por ingenuidade ou por não acreditar na polícia, transferia o dinheiro para contas dele e da mulher", detalhou o delegado.

A ousadia foi tanta que o suspeito fez 90 transações a partir de um mesmo smartphone. O banco suspeitou das operações e bloqueou os movimentos que tinham como destino contas no nome de Petenati e da esposa dele.

"Com os CPFs bloqueados pelo banco, ele abriu contas nos nomes das filhas de 9 e 10 anos. Além disso, fez transferências para o cunhado e um amigo", afirmou o delegado.

Apesar de não serem operadores do esquema, o cunhado e o amigo ganhavam uma comissão toda vez que alguma quantia era transferida para as contas deles.

Carros e loja

O UOL apurou que o dinheiro foi usado para comprar objetos pessoais. A última aquisição, de acordo com a polícia, foi um Audi Q3, pago em dinheiro. O modelo esportivo tem valor inicial de mercado de R$ 185 mil.

"Com o dinheiro vindo muito fácil, ele abriu ainda uma loja [de calçados] para a esposa em uma cidade vizinha", explicou o delegado. A loja, inclusive, foi um dos quatro locais em que foram cumpridos mandados de busca e apreensão. Computadores, celulares e documentos foram apreendidos e devem auxiliar nas investigações.

Mais golpes

A Polícia Civil acredita que essa é apenas uma parte de uma grande teia de transações e de golpes. A partir de agora, vai ser possível trilhar o caminho feito pelo dinheiro, ou seja, de onde veio e para onde foi, e, talvez, identificar mais pessoas que possam ter colaborado na fraude.

A reportagem do UOL não conseguiu localizar a defesa de Petenati, que foi transferido para a capital paulista hoje à tarde para prestar depoimentos. É que como grande parte das pessoas que tiveram os dados usados ilegalmente são idosos, a investigação foi desencadeada pela 1ª Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso, em São Paulo.