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Em carta a Mourão, empresas pedem ações contra desmatamento na Amazônia

Foto tirada em setembro de  2019 mostra área desmatada e queimada na floresta Amazônica, nos arredores de Porto Velho - Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress
Foto tirada em setembro de 2019 mostra área desmatada e queimada na floresta Amazônica, nos arredores de Porto Velho Imagem: Bruno Rocha /Fotoarena/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

07/07/2020 11h05

Os chefes de 38 empresas nacionais e estrangeiras e de quatro entidades ligadas ao agronegócio enviaram ontem uma carta ao presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, o vice-presidente Hamilton Mourão, pedindo ações para combater o desmatamento na Amazônia.

A carta deve ser enviada hoje aos presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras.

No documento, o grupo afirma que acompanha com " atenção e preocupação" o impacto nos negócios da atual percepção negativa da imagem do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais na Amazônia.

No mês passado, fundos de investimento que gerenciam ativos que somam perto de US$ 4 trilhões (quase R$ 21 trilhões) pediram ao Brasil que suspenda o desmatamento na Amazônia, em uma carta aberta.

Gerentes de fundos de países europeus, asiáticos e sul-americanos expressaram o temor de que o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteja usando a crise sanitária da covid-19 para avançar sobre a desregulamentação ambiental, o que poderia "comprometer a sobrevivência da Amazônia".

Na carta a Mourão, os executivos disseram que "essa percepção negativa tem um enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país".

Leia a íntegra da carta:

Neste momento, em que enfrentamos uma situação extrema, extraordinária e excepcional, é muito importante manter a serenidade e o equilíbrio para que possamos superar e sair fortalecidos dos desafios que se apresentam. Em nenhum momento da história o futuro da humanidade e do planeta dependeu tanto da nossa capacidade de entendimento de que vivemos em um único planeta e de que a nossa sobrevivência está diretamente ligada à preservação e valorização dos seus recursos naturais.

Os impactos sociais e econômicos causados em escala global e de forma inédita pela pandemia da covid-19 nos advertem que a consumação de riscos associados à quebra do equilíbrio ecossistêmico traz consequências devastadoras quando negligenciados, tal como vem ocorrendo com o risco climático apontado pelo Fórum Econômico Mundial ano após ano, desde 2012.

Cientes disso, o setor empresarial brasileiro, por meio de instituições e empresas dos setores industrial, agrícola e de serviços, vêm hoje reafirmar seu compromisso público com a agenda do desenvolvimento sustentável.

Particularmente, esse grupo acompanha com maior atenção e preocupação o impacto nos negócios da atual percepção negativa da imagem do Brasil no exterior em relação às questões socioambientais na Amazônia. Essa percepção negativa tem um enorme potencial de prejuízo para o Brasil, não apenas do ponto de vista reputacional, mas de forma efetiva para o desenvolvimento de negócios e projetos fundamentais para o país.

Nesse contexto, esse grupo coloca-se à disposição do Conselho da Amazônia para contribuir com soluções que tenham foco nos seguintes eixos:

Combate inflexível e abrangente ao desmatamento ilegal na Amazônia e demais biomas brasileiros;

  • Inclusão social e econômica de comunidades locais para garantir a preservação das florestas;
  • Minimização do impacto ambiental no uso dos recursos naturais, buscando eficiência e produtividade nas atividades econômicas daí derivadas;
  • Valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais;
  • Adoção de mecanismos de negociação de créditos de carbono;
  • Direcionamento de financiamentos e investimentos para uma economia circular e de baixo carbono; e
  • Pacotes de incentivos para a recuperação econômica dos efeitos da pandemia da covid-19 condicionada a uma economia circular e de baixo carbono.

Algumas das empresas signatárias já desenvolvem soluções de negócios que partem da bioeconomia, com valor agregado e rastreabilidade dos produtos, inclusive, na Amazônia. De um lado, entendemos que é possível dar escala às boas práticas a partir de políticas consistentes de fomento à agenda ambiental, social e de governança. De outro, é necessário adotar rigorosa fiscalização de irregularidades e crimes ambientais na Amazônia e demais biomas brasileiros.

Temos a oportunidade única, os recursos e o conhecimento para dar escala às boas práticas e, mais do que isso, planejar estrategicamente o futuro sustentável do Brasil. Precisamos fazer as escolhas certas agora e começar a redirecionar os investimentos para enfrentamento e recuperação da economia brasileira em um modelo de economia circular, de baixo carbono, e inclusiva, em que não há controvérsias entre produzir e preservar. Em nosso entendimento, esse é o melhor caminho para fincarmos os alicerces do país para as próximas gerações. Caso contrário, corremos o risco de ficarmos à margem da nossa própria história.

Empresas signatárias

  • Agropalma
  • Alcoa
  • Amaggi
  • Bayer
  • BrasilAgro
  • Cargill
  • Cosan
  • DSM
  • Ecolab
  • Eletrobras
  • ERM
  • Grupo Vamos
  • Iguá
  • Itaú
  • Jacto
  • JSL
  • Klabin
  • Marfrig
  • Mauá Capital
  • Michelin
  • Microsoft
  • Movida
  • Natura
  • Rabobank
  • Santander
  • Schneider Eletric
  • Shell
  • Siemens
  • Sitawi
  • Stefanini
  • Suzano
  • Ticket Log
  • TozziniFreire
  • Vale
  • Vedacit
  • WeWork

Organizações signatárias

  • Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds)
  • Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
  • Indústria Brasileira da Árvore (Ibá)
  • Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove)