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JBS é retirada da carteira de fundo bilionário europeu por sustentabilidade

Gado pasta próximo a área com incêndio na Amazônia -
Gado pasta próximo a área com incêndio na Amazônia

Do UOL, em São Paulo

28/07/2020 13h34

A JBS foi retirada da carteira de investimentos vendida pela finlandesa Nordea Asset Management, que controla um fundo de 230 bilhões de euros (R$ 1,4 trilhão). A decisão foi tomada, entre outros fatores, por conta da falta de compromisso com a sustentabilidade por parte da empresa brasileira, que é a maior processadora de carne do mundo.

De acordo com o jornal inglês The Guardian, a exclusão da JBS dos ativos vendidos pela Nordea foi determinada há cerca de um mês. A decisão foi comunicada por Eric Pedersen, chefe de investimentos responsáveis do grupo financeiro.

"A exclusão da JBS é bastante dramática para nós porque é de todos os nossos fundos, não apenas dos rotulados como ESG (ambientais, sociais e governamentais)", explicou Pedersen sobre a classificação, usada para avaliar a sustentabilidade da empresa e os impactos sociais para investidores.

Segundo Pedersen, um terço dos investimentos vendidos pela Nordea é classificado como ESG. No ano passado, inclusive, a empresa finlandesa já havia suspendido a compra de títulos do governo brasileiro após o início da crise sobre o desmatamento na Amazônia.

Além da possível ligação da JBS com o desmatamento na região amazônica, apontada de forma mais direta por uma reportagem sobre a prática de "triangulação do gado", outros fatores que pesaram na exclusão da gigante da carne foram os escândalos de corrupção passados envolvendo a empresa e a atual resposta da JBS à pandemia do coronavírus.

Nos últimos meses, frigoríficos da JBS têm sido focos de contaminação em diferentes estados do Brasil. Dezenas de funcionários apresentaram sintomas da covid-19 e precisaram ser afastados.

Há cerca de um mês, a Nordea foi um dos 29 fundos que administram um total de cerca de R$ 21 trilhões a enviarem uma carta aberta a sete embaixadas brasileiras na Europa, no Japão e nos Estados Unidos, solicitando uma reunião com o governo brasileiro para discutir o desmatamento na Amazônia.

JBS lamenta não ter sido procurada

Diante da notícia da exclusão, a empresa brasileira se posicionou e lamentou não ter tido a oportunidade de mostrar à Nordea suas ações que, segundo a JBS, comprovam o "total compromisso com a transparência das suas relações e com a sustentabilidade das suas operações."

"A JBS também está totalmente comprometida com a erradicação do desmatamento em toda sua cadeia de fornecimento e foi uma das primeiras empresas do setor a investir em políticas e tecnologia para combater, desencorajar e eliminar o desmatamento na região da Amazônia", afirmou em nota a JBS.

A empresa também comentou sobre suas ações para evitar a contaminação de funcionários e colaboradores pelo coronavírus.

"(A JBS) implementou um robusto protocolo com medidas eficazes para o controle, prevenção e segurança dos colaboradores em suas unidades", diz a nota da empresa, que afirma se basear em orientações de instituições como o Hospital Albert Einsten, de São Paulo.