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Guedes diz contar com confiança de Bolsonaro e reforça respeito ao teto

Adriano Machado/Reuters
Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

17/08/2020 21h17Atualizada em 17/08/2020 22h30

Em meio a questionamentos sobre sua permanência no governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje que confia em Jair Bolsonaro (sem partido) e que o sentimento é recíproco. Segundo Guedes, o presidente o apoiou em momentos "decisivos" e está "absolutamente comprometido" com a política econômica.

"Existe muita confiança do presidente em mim e existe muita confiança minha no presidente. Acho difícil você encontrar alguém que esteja à vontade nesse cargo, mas acho que, nos momentos decisivos, o presidente me apoiou", disse o ministro, em conversa com jornalistas.

Guedes também reforçou o respeito ao teto de gastos, argumentando que as despesas extraordinárias deste ano são compreensíveis no contexto da pandemia, mas não devem se tornar permanentes.

"Você está protegendo vidas, preservando empregos, todo mundo gastou muito esse ano. Mas esses gastos não devem ser gastos permanentes, porque aí você vai para a volta da inflação, juro alto, estagnação econômica. O presidente está absolutamente comprometido com isso", completou.

Responsabilidade fiscal

Questionado sobre uma eventual liberação de R$ 5 bilhões para obras públicas, ventilada na semana passada, o ministro explicou se tratar de um "remanejamento de recursos", e não uma tentativa de "furar" o teto de gastos — que, segundo Guedes, está sendo respeitado por toda a equipe econômica.

Para o ministro, é "absolutamente natural" que o governo queira fazer obras públicas, mas é necessário discutir de onde tirar recursos para isso. Guedes ainda citou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e disse que qualquer gasto será feito respeitando suas limitações.

"Qualquer governo tem seus desejos, só que existe uma Lei de Responsabilidade Fiscal. Vamos gastar quem quiser gastar, mas dentro da lei", alertou. "Alguém propor furar teto é ruim para o grupo. Agora, existe uma forma de abrir espaço para investimento? Existe: o pacto federativo. Se você trava as despesas, você abre espaço para investimentos."

Bolsonaro tem 'sensibilidade'

Guedes também comentou a declaração de Bolsonaro de que seria possível "abrir exceções" ao teto de gastos para casos emergenciais, como o combate ao novo coronavírus. O ministro argumentou que alguns assuntos são complexos e que o presidente admitiu furar o teto porque tem "sensibilidade".

"O presidente é uma pessoa de sensibilidade, e ele se preocupa. Ele está preocupado, por exemplo, com a água no Nordeste. É inteiramente natural, o presidente... Ele quer fazer uma ponte no Rio Xingu. Está certo, mas tem que caber no orçamento. Os recursos têm que vir de algum lugar. A decisão de onde saem esses recursos é que é o contexto da política."

Na última quinta-feira (13), durante sua live semanal, Bolsonaro disse que a ideia de desrespeitar o teto existe e que não vê problema nenhum, desde que feita com uma justificativa pertinente.

"A ideia de furar o teto existe, o pessoal debate. Qual é o problema? Na pandemia, temos a PEC de Guerra [emenda constitucional que viabilizou gastos extraordinários]. 'Presidente, nós já furamos o teto em mais ou menos R$ 700 bilhões, dá para furar mais R$ 20 bilhões?' Qual a justificativa? Se for para [combate ao] vírus, não tem problema nenhum...", disse.