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Brasil vai se recuperar da crise mais rápido que europeus, diz Abilio Diniz

abilio diniz - Divulgação/Plenae
abilio diniz Imagem: Divulgação/Plenae

Do UOL, em São Paulo

20/09/2020 14h52

O empresário Abilio Diniz, 83, diz acreditar que o Brasil sairá da crise mais rápido do que o esperado —antes mesmo dos países europeus, inclusive. Em entrevista ao jornal O Globo, Diniz declarou que o auxílio emergencial de R$ 600, criado em abril pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), é o principal fator responsável por essa recuperação. Isso porque, segundo ele, o auxílio é que está fazendo a economia girar.

"Acredito nas palavras de Paulo Guedes [ministro da Economia] de que vamos surpreender o mundo. Vamos recuperar muito mais rápido que os europeus", afirmou.

O empresário disse que o Brasil teve um "baque forte", um número grande de infectados pelo coronavírus por habitante, mas que a economia "está voltando à realidade". "O gasto das famílias está aumentando, uma certa iniciativa privada começa a investir, e um certo dinheiro externo que está ávido pelo Brasil está voltando", afirmou.

"Veja: os mais atingidos foram os mais vulneráveis. Mas o auxílio de R$ 600 permitiu uma transferência de renda extraordinária, e isso foi muito importante. Essas pessoas giram a economia com muita rapidez. O governo botou muito dinheiro, muita coisa positiva aconteceu", disse.

Diniz disse ainda concordar em parte com uma fala do ministro Paulo Guedes de que a recuperação do país aconteceria em "V".

"O governo botou muito dinheiro, muita coisa positiva aconteceu. Não acho que vai ser uma recuperação em um "V" completo. Mas acho que vai ser muito inclinada. Acredito nas palavras de Paulo Guedes de que vamos surpreender o mundo. Vamos recuperar muito mais rápido que os europeus", afirmou.

Na visão do empresário, no entanto, para uma retomada "sustentável" é preciso aprovar as reformas administrativa e tributária.

Renda Brasil

Perguntado sobre o "fim" do Renda Brasil, proposta que vinha sendo planejada pelo governo Bolsonaro e que substituiria o Bolsa Família, Diniz disse acreditar que a ideia ainda pode ser retomada.

Bolsonaro proibiu, até 2022, qualquer discussão sobre o programa, mas técnicos dos ministérios da Economia e da Cidadania ainda trabalham em possíveis propostas para o projeto.

"Não acho que seja o fim. O governo não quer tirar dos pobres para dar aos paupérrimos. Acho que ainda pode ser retomado. O ideal seria mudar o critério do Bolsa Família, alcançar mais gente com um valor maior. Acho que deveria fazer, se puder", disse Diniz.

O empresário afirmou ainda que "há tempo" para "arrumar" a questão fiscal no país, sem romper o teto de gastos.

"Não devemos romper o teto de gastos, e sim fazer as reformas para melhorar a situação do Estado em todos os níveis, pois o problema não é só federal", afirmou. "É importante também, nessa linha, desindexar gastos para poder manejar recursos, e ainda analisar com profundidade os gastos atuais, se estão sendo bem aplicados e tendo retorno satisfatório".