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Lucro dos bancos cai 32%, para R$ 41 bi no 1º semestre, por risco de calote

Relatório do Banco Central alertou para risco de calote de empresas e famílias no fim do ano e início de 2021 - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Relatório do Banco Central alertou para risco de calote de empresas e famílias no fim do ano e início de 2021 Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

15/10/2020 10h53

O lucro dos bancos chegou a R$ 41 bilhões no primeiro semestre de 2020, uma queda de 32% em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre, as instituições financeiras lucraram R$ 22,5 bilhões e 18,5 bilhões no segundo trimestre, conforme dados do Relatório de Estabilidade Financeira do BC (Banco Central).

O documento informou que o aumento das reservas dos bancos para cobrir possíveis prejuízos com calotes é o principal fator que levou a queda do lucro líquido das instituições financeiras. Com a pandemia do coronavírus, milhões de brasileiros perderam os empregos ou ficaram sem renda. Com isso, muitos deles renegociaram os empréstimos, com pausas no pagamento ou com aumento de prazo e redução no valor da parcela.

"As despesas com provisões [reservas para cobrir calotes] somaram R$ 65 bilhões no primeiro semestre de 2020 (sendo R$ 31,6 bilhões no primeiro trimestre e R$ 33,4 bilhões no segundo), aumento de 80% em relação ao mesmo período do ano anterior", informou o BC.

Aumento de calotes no fim do ano

O BC também alertou que teme um aumento de calotes de empresas e famílias no fim de 2020 e no início de 2021, após o fim do prazo de pausa no pagamento de parcelas de empréstimos renegociados.

O relatório também informou que a pandemia do coronavírus teve como consequência o aumento do desemprego e a queda na confiança dos consumidores. Com isso, o comprometimento de renda das famílias aumentou ainda mais e se aproximou do nível mais alto da história, observado em 2015.

"Assim como no crédito a empresas, esse expressivo volume de repactuações pode estar postergando a materialização do risco de crédito para o final de 2020 e início de 2021, uma vez que parte dos tomadores pode não conseguir honrar os termos dos contratos repactuados", informou o BC.