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Conselheiro da Petrobras critica Bolsonaro por ameaça de interferência

Petrobras é independente, mas tem sofrido críticas - SERGIO MORAES
Petrobras é independente, mas tem sofrido críticas Imagem: SERGIO MORAES

Colaboração para o UOL

19/02/2021 08h11Atualizada em 19/02/2021 13h08

Marcelo Mesquita, conselheiro eleito pelos minoritários da Petrobras, criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por declarações feitas ontem, em transmissão ao vivo, sobre o preço do combustível no Brasil.

"Uma pessoa que tem poder não pode ficar vociferando coisas assim. As declarações geram volatilidade, geram dificuldade para o ambiente de negócios no país. E são só comentários, não temos fatos. São frases enigmáticas que só geram volatilidade e tensão no mercado, e aumentam o risco Brasil e o dólar", analisou Mesquita ao jornal Valor Econômico.

Ontem, Bolsonaro criticou a Petrobras pela alta no preço dos combustíveis. O presidente disse que a empresa tem autonomia para tomar decisões, mas sinalizou que pode realizar mudanças, sem citar quais. "Alguma coisa vai acontecer na Petrobras nos próximos dias. Tem que mudar alguma coisa. Vai acontecer", disse o presidente. Hoje, no final da manhã, Bolsonaro reafirmou as mudanças, apesar de o mercado ter reagido mal às declarações.

Segundo a agência de notícias Reuters, as pressões públicas de Bolsonaro têm como intuito a demissão do presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco.

"Estelionato eleitoral"

Para Mesquita, isso pode significar até um estelionato eleitoral de Bolsonaro, ou seja, o não-cumprimento de compromissos feitos durante a campanha presidencial.

"Não adianta se eleger e dizer que vai fazer diferente do PT, mas fazer tudo igual. Isso é estelionato eleitoral. "Não conseguimos avançar se discutimos os mesmos temas depois de ter aprendido lições do passado. É o fim da picada ver essa discussão pública", criticou Mesquita.

O conselheiro não acredita que uma possível mudança de funcionários vá afetar as decisões da Petrobras ou fazer com que o preço do combustível caia.

"Mesmo que o presidente Bolsonaro troque as pessoas, o CEO etc., a lei é a lei e não será fácil achar pessoas ilibadas e qualificadas dispostas a fazer um papel errado na empresa", apontou Marcelo.

A saída para controlar os preços, de acordo com o conselheiro, é resolver as reformas econômicas. "Todas as commodities estão caras no Brasil e não é só o câmbio. Os impostos são muito altos. Precisamos de uma reforma administrativa e tributária urgente para reduzir o custo do Estado e aumentar a eficiência do país", concluiu Marcelo.

Bolsonaro disse ontem que pretende zerar os impostos federais sobre o diesel, por dois meses, e sobre o gás de cozinha, por tempo indeterminado, mas não detalhou como isso será feito e nem informou qual seria a contrapartida de arrecadação para a União. O Ministério da Economia ainda não se manifestou.

Aumento dos combustíveis

A Petrobras confirmou ontem o reajuste dos preços da gasolina e do óleo diesel em suas refinarias, que ficarão R$ 0,23 e R$ 0,34 mais caros a partir de hoje. Com mais esse reajuste, o litro da gasolina passará a custar R$ 2,48 e o do diesel, R$ 2,58.

Em comunicado, a companhia enfatizou que mantém os seus preços alinhados aos do mercado internacional, o que, segundo a estatal, "é fundamental para garantir que o mercado brasileiro siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento pelos diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras"..

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