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Vejam o que disseram Bolsonaro, Guedes e outros sobre leilão da Cedae

Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes foram a São Paulo acompanhar o leilão da Cedae - Evaristo Sá/AFP/24-05-2019
Presidente Jair Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes foram a São Paulo acompanhar o leilão da Cedae Imagem: Evaristo Sá/AFP/24-05-2019

Do UOL, em São Paulo

30/04/2021 20h28Atualizada em 30/04/2021 20h55

Fortalecido com a privatização da Cedae (Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro), o governo federal comemorou a vitória política. O leilão, de interesse pessoal do ministro da Economia, Paulo Guedes, concedeu à iniciativa privada a prestação de serviço de água e esgoto em regiões do Rio.

Além de Guedes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador interino do Rio, Claudio Castro (PSC) foram outros envolvidos no leilão da Cedae que comemoram a concessão por R$ 22,7 bilhões —valor 133% acima do mínimo esperado.

Nas redes sociais, a oposição do governo criticou a concessão. Agora, parlamentares recorrem na Justiça para tentar reverter a privatização.

Abaixo, veja o que disseram políticos sobre a concessão da Cedae:

Paulo Guedes

30.abr.21 - Paulo Guedes no leilão da Cedae, em SP - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Para o ministro, a privatização da companhia é o primeiro passo para outras concessões que ele deseja fazer. Em breve discurso após o leilão, ainda na Bolsa de Valores de São Paulo, Guedes celebrou o momento e pediu "confiança" aos investidores.

"Um ágio de mais de 100% na outorga, assumindo a responsabilidade de fazer mais de R$ 30 bilhões de investimento ao longo dos próximos anos. São mais de R$ 50 bilhões que são colocados nesses compromissos sociais".

Confiança no Brasil. O Brasil vai retomar o crescimento, nós vamos atravessar as duas ondas, a da pandemia e a ameaça econômica. Vamos voltar a dias melhores".
Paulo Guedes, ministro da Economia

Jair Bolsonaro

Ao lado do ministro Guedes, o presidente também marcou presença no leilão da Cedae. Foi ele quem bateu o martelo para encerrar o evento.

"Esse é o momento que marca o nosso mercado, a nossa economia e a nossa história. [Nosso] governo é voltado para a liberdade de mercado, [contamos] com a confiança dos investidores e a crença de que o Brasil pode ser diferente", afirmou ele em discurso.

Antes do leilão, parte de sua comitiva foi alvo de ovos na chegada à Bolsa, mas os integrantes não foram atingidos.

No Twitter, o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), também comemorou a concessão e afirmou desconhecer outro projeto social, ambiental e de saúde pública "tão grandioso na América Latina, capaz de transformar tantas vidas diretamente".

Claudio Castro

A privatização da Cedae também foi uma vitória política para o governador interino do Rio de Janeiro, Claudio Castro. Ele preferiu acompanhar o leilão presencialmente a ver a votação do impeachment de Wilson Witzel (PSC), que aconteceu simultaneamente, no Rio.

Em discurso no evento, o governador disse que o resultado do leilão "é a prova de que estamos fazendo o dever de casa".

Mais tarde, nas redes sociais, o governador voltou a comemorar a privatização e disse que 12 milhões de pessoas serão beneficiados. "O edital reservou R$ 1,8 bilhão especificamente para intervenções em comunidades carentes"

Rogério Marinho

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, foi outro membro do governo que comemorou o sucesso do leilão de parte dos serviços da Cedae. Dirigindo-se ao presidente Bolsonaro, presente no evento, Marinho afirmou que o sucesso do leilão só foi possível porque Bolsonaro "teve decisão e liderança para destravar nó no parlamento [lei do Saneamento]", referindo-se à lei sancionada no ano passado e que criou um novo marco para o setor.

O ministro acenou também ao governador do Rio de Janeiro, Claudio Castro, afirmando que agora ele terá condições de melhorar as condições da população fluminense. "Tem que continuar apostando que vamos fazer esse país muito melhor do que ele é. Outras reformas certamente virão, a responsabilidade é muito maior agora", afirmou.

BNDES

O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), Gustavo Montezano, elogiou o leilão da Cedae, afirmando que os investimentos serão responsáveis pela geração de 50 mil empregos e pelo benefício a 12 milhões de pessoas.

"Mobilizamos um capital de privatização que não se via desde a privatização da Vale", afirmou. Segundo Montezano, o certame representa iniciativas para reduzir a desigualdade social no país.

O Rio está enfim recebendo uma oportunidade única de sair do século XIX e passar para o XXI".
Gustavo Montezano, presidente do BNDES

CNI

Para a CNI (Confederação Nacional da Indústria), o "sucesso do leilão coloca saneamento no caminho da universalização". Em nota, a confederação disse que a lei do saneamento "levou segurança jurídica para os investidores" e permitiu a participação de grandes grupos no leilão.

Somente com a participação da iniciativa privada que conseguiremos ampliar o acesso da população às redes de saneamento no país".
Robson Braga de Andrade, presidente da CNI

Segundo Robson Andrade, a concessão da Cedae servirá de exemplo e modelo para outros estados. "Os investimentos em saneamento, além de alavancar a economia local por meio da geração de empregos e renda para a população e de contribuir para a saúde dos cidadãos, têm efeito multiplicador em uma longa cadeia produtiva", diz Robson Andrade.

'Água não é mercadoria', defende oposição

Alessandro Molon

Da oposição do governo, o deputado federal Alessandro Molon (PSB), disse que a Cedae foi "sistematicamente sucateada com a finalidade de ser vendida". Ele acrescenta que "água não é mercadoria".

Jandira Feghali

A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB) também se posicionou contra a privatização da Cedae e relembrou que um bloco da companhia ficou sem comprador. "Quem vai garantir o acesso a água nessa região menos lucrativa?", questionou.

Renata Souza

A deputada estadual Renata Souza (PSOL) afirmou que, com a concessão, o governo "entrega o mais importante patrimônio para a soberania de um Estado: a água".

A deputada é líder do PSOL na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que, na véspera do leilão, conseguiu aprovar um decreto para impedir a concessão dos serviços de água e esgoto do estado para a iniciativa privada. A decisão foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do Rio.