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Racionamento preventivo de energia é 'muito provável', diz professor da USP

Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP - Reprodução
Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

30/05/2021 20h14Atualizada em 30/05/2021 22h06

Após um apagão afetar diversos estados anteontem, foi aceso o alerta no Brasil quanto à possibilidade de novas interrupções no fornecimento de energia, principalmente pelo período de seca histórico que tem afetado os reservatórios das hidrelétricas.

Segundo Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP (Universidade de São Paulo), é "muito provável" que o Brasil precise fazer um racionamento preventivo de energia nos próximos meses para evitar uma crise energética como a de 2001.

"Eu diria que é muito provável que esse racionamento tenha que acontecer dentro de uma lógica preventiva. Nós temos que fortalecer cada vez mais na sociedade uma visão de precaução, do direito de precaução", disse Jacobi em entrevista à CNN Brasil.

A partir de junho, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) já anunciou que as contas de energia ficarão mais caras por causa da falta de chuvas, com a adoção da bandeira tarifária vermelha de patamar 2. A mudança representará um custo adicional de R$ 6,243 para cada 100 kWh consumidos.

É provável que haja um racionamento para poder garantir [energia], inclusive, nos períodos nos quais a redução significativa das chuvas pode acontecer. Nós estamos entrando no período de estiagem.
Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP

O professor da USP disse ainda que "emergências climáticas" serão cada vez mais comuns, o que eleva o risco de problemas na oferta de energia elétrica devido à matriz energética brasileira ser baseada em hidrelétricas.

"Tivemos uma situação de apagão no ano de 2001 que afetou diretamente a população brasileira. Dependemos fundamentalmente de energia produzida pelas hidrelétricas", afirmou Jacobi, lembrando a grave crise energética durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Para o professor, diversificar a matriz energética brasileira, apostando mais nas energias eólica e solar, poderia ajudar a evitar as crises pela falta de chuvas.

Hoje, a energia eólica é responsável por 10,3% [da produção de energia], segundo dados das instituições que organizam a gestão de energia eólica. E a solar é muito pequena, menos de 2%. A energia eólica está crescendo muito, principalmente no Nordeste, onde é realmente muito importante o volume de investimento que está sendo feito, mas é um ritmo menos adequado do que poderia ser porque existe uma série de fatores como as regulações para distribuição.
Pedro Jacobi, professor do Instituto de Energia e Ambiente da USP