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Calculadora mostra tempo que trabalhador levaria para ter 'supersalário'

Objetivo da calculadora é alertar sobre "supersalários" no funcionalismo público - iStock
Objetivo da calculadora é alertar sobre 'supersalários' no funcionalismo público Imagem: iStock

Do UOL, em São Paulo

13/07/2021 14h10Atualizada em 13/07/2021 19h02

O CLP (Centro de Liderança Pública) e o movimento Unidos Pelo Brasil lançaram uma calculadora que mostra quanto tempo um trabalhador comum levaria para alcançar o salário mensal de R$ 39,2 mil, o teto atual do funcionalismo público no Brasil.

A calculadora, disponível no site dos idealizadores, foi criada a partir de microdados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) de 2019 e leva em consideração estimativas usadas por economistas para analisar a evolução salarial dos trabalhadores.

Segundo simulações feitas pela ferramenta, um trabalhador do setor privado que recebe um salário mínimo (R$ 1.100) por mês levaria 71.034 anos para alcançar o salário mensal de R$ 39,2 mil, com base apenas nos reajustes anuais.

Já um professor de escola pública que recebe o piso salarial de R$ 2.886,24 estabelecido pelo MEC (Ministério da Educação) em 2020, demoraria 10.941 anos para chegar ao teto do funcionalismo.

O objetivo da calculadora, segundo os criadores, é alertar para os "supersalários" no serviço público. A iniciativa também é forma de defender a aprovação do PL (Projeto de Lei) 6726/2016, que barra penduricalhos em todas as esferas e em todos os níveis de Poder e está em debate na Câmara dos Deputados.

Segundo os criadores, a ferramenta serve para ilustrar como as disparidades salariais no país contribuem para a manutenção do quadro de desigualdade brasileiro.

25 mil recebem acima do teto, dizem entidades

De acordo com os idealizadores da calculadora, ainda existe uma elite do funcionalismo, cerca de 25 mil servidores públicos, como juízes, procuradores e diplomatas, que recebe mais do que os R$ 39,2 mil graças a benefícios e penduricalhos que são somados aos seus contracheques todo mês.

Estudo do CLP aponta que estes "supersalários" custam R$ 2,6 bilhões por ano ao cofre público brasileiro, considerando os gastos com servidores municipais, estaduais e federais nos três Poderes.