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Datena insinua que há ligação entre alta do dólar e offshore de Guedes

No programa Brasil Urgente, Datena insinua que há ligação entre alta do dólar e offshore de Guedes; o apresentador é pré-candidato nas eleições presidenciais de 2022 - Reprodução
No programa Brasil Urgente, Datena insinua que há ligação entre alta do dólar e offshore de Guedes; o apresentador é pré-candidato nas eleições presidenciais de 2022 Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

09/10/2021 18h06Atualizada em 09/10/2021 18h07

O apresentador José Luiz Datena ironizou hoje a alta do dólar e a empresa do ministro da Economia, Paulo Guedes, em paraíso fiscal. Durante o programa Brasil Urgente, ele também criticou o ministro por "não fazer nada pelo povo".

Nosso ministro da Economia só fez subir o dólar e, por coincidência, tem uma empresa em paraíso fiscal em dólar. Durante o período que ele está no governo, ele ganhou mais de 14 milhões só com as medidas que ele toma aqui.
Datena insinua relação entre a alta do dólar e os ganhos do ministro Paulo Guedes

"Esse é o Paulo Guedes. Enquanto ele sai da mira do Supremo, uma mulher que roubou miojo continua na cadeia", criticou Datena, pré-candidato nas eleições presidenciais de 2022.

Guedes nega irregularidades

Ontem, o ministro Guedes reafirmou que não há irregularidades em sua empresa e disse que está afastado do negócio desde que assumiu função pública. "Declarei tudo. É permitido, é legal, não fiz nada de errado. O dinheiro está sob gestores independentes e jurisdições sobre as quais não tenho influência".

Saí da companhia dias antes de vir para cá. Dei todos os documentos ... o resto é só barulho, barulho, barulho. E acho que vai ficar pior à medida que nos aproximamos das eleições Paulo Guedes sobre offshore

As informações sobre a offshore de Guedes foram obtidas pelo projeto "Pandora Papers", do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), cujos parceiros no Brasil são a revista Piauí e o site Poder360. O vazamento também apontou uma empresa no exterior em nome do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Offshore é o nome dado a empresas que são abertas em países que, geralmente, são considerados paraísos fiscais, onde a tributação não é tão pesada e o sigilo a dados bancários é mais forte que em outros Estados.

Segundo os "Pandora Papers", Guedes possui desde 2014 uma offshore de nome Dreadnoughts International. O ministro da Economia depositou US$ 9,54 milhões (mais de R$ 51,8 milhões, na cotação atual) na conta da offshore, em uma agência do banco Crédit Suisse em Nova York.

A abertura de uma empresa no exterior não é ilegal, desde que seja declarada à Receita Federal. Também precisa ser declarada ao Banco Central, caso os ativos da empresa ultrapassem US$ 1 milhão.

No entanto, tanto o caso de Guedes quanto de Campos Neto podem ser enquadrados no primeiro parágrafo do artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, de 2000.

"Artigo 5º § 1º. É vedado o investimento em bens cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função, inclusive investimentos de renda variável ou em commodities, contratos futuros e moedas para fim especulativo, excetuadas aplicações em modalidades de investimento que a CEP venha a especificar.".

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