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Guedes critica 'barulho' por offshore: 'Fiz tudo legalmente'

Paulo Guedes, ministro da Economia: "Saí da companhia dias antes de vir para cá" - Adriano Machado/Reuters
Paulo Guedes, ministro da Economia: 'Saí da companhia dias antes de vir para cá' Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

08/10/2021 13h32Atualizada em 08/10/2021 14h06

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou hoje o que classificou como "barulho" a respeito da notícia de que ele tem uma offshore em um paraíso fiscal, reafirmando não haver ilegalidades.

Durante evento virtual promovido pelo Itaú, Guedes falou espontaneamente sobre o assunto. "Declarei tudo. É permitido, é legal, não fiz nada de errado. O dinheiro está sob gestores independentes e jurisdições sobre as quais não tenho influência", disse o ministro, em inglês, acrescentando que está afastado do negócio desde que assumiu função pública.

Saí da companhia dias antes de vir para cá. Dei todos os documentos ... o resto é só barulho, barulho, barulho. E acho que vai ficar pior à medida que nos aproximamos das eleições Paulo Guedes sobre offshore

As informações sobre a offshore de Guedes foram obtidas pelo projeto "Pandora Papers", do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), cujos parceiros no Brasil são a revista Piauí e o site Poder360. O vazamento também apontou uma empresa no exterior em nome do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Offshore é o nome dado a empresas que são abertas em países que, geralmente, são considerados paraísos fiscais, onde a tributação não é tão pesada e o sigilo a dados bancários é mais forte que em outros Estados.

Segundo os "Pandora Papers", Guedes possui desde 2014 uma offshore de nome Dreadnoughts International. O ministro da Economia depositou US$ 9,54 milhões (mais de R$ 51,8 milhões, na cotação atual) na conta da offshore, em uma agência do banco Crédit Suisse em Nova York.

A abertura de uma empresa no exterior não é ilegal, desde que seja declarada à Receita Federal. Também precisa ser declarada ao Banco Central, caso os ativos da empresa ultrapassem US$ 1 milhão.

No entanto, tanto o caso de Guedes quanto de Campos Neto podem ser enquadrados no primeiro parágrafo do artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, de 2000.

"Artigo 5º § 1º. É vedado o investimento em bens cujo valor ou cotação possa ser afetado por decisão ou política governamental a respeito da qual a autoridade pública tenha informações privilegiadas, em razão do cargo ou função, inclusive investimentos de renda variável ou em commodities, contratos futuros e moedas para fim especulativo, excetuadas aplicações em modalidades de investimento que a CEP venha a especificar.".

Guedes destacou hoje ter atuado nos últimos 8 a 9 anos com private equity no país, e pontuou ter se desfeito de todas as participações antes de virar ministro.

"Perdi muito dinheiro vindo para cá, exatamente para evitar problemas", afirmou. Segundo o ministro, ele perdeu muito mais com isso do que o valor que está sendo apontado como sendo de sua propriedade em offshore.

Na quarta-feira (6), a Câmara aprovou a convocação de Guedes para dar explicações sobre o caso no plenário da Casa.

Parlamentares da oposição querem saber se haveria um suposto conflito de interesses na manutenção dessas contas ocupando o cargo responsável por gerir as políticas econômica e cambial do país.

Segundo a colunista Carla Araújo, do UOL, os advogados do ministro informaram que ele apresentou documentos à PGR (Procuradoria-Geral da República) para explicar a existência de empresas offshore no exterior e negaram irregularidades.

Inflação e precatórios

Guedes disse ainda que a questão da inflação já está "endereçada". Hoje, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses atingiu 10,25%.

Segundo Guedes, em um contexto de aceleração global da inflação, é "natural" que, num País onde os preços já costumam ter variação ao redor de 4%, o índice acabe subindo para algo "ao redor de 9%".

Ele disse ainda acreditar na aprovação das mudanças nas regras de pagamento de precatórios até o fim do ano.

É 'fato' que Brasil está crescendo

O ministro disse que é "fato" que o Brasil está crescendo e criando empregos e criticou projeções de economistas que apontam baixo crescimento no ano que vem.

Durante o evento promovido pelo Itaú, Guedes dirigiu-se ao economista-chefe do banco, Mario Mesquita. Depois de chamá-lo de "meu amigo", criticou o modelo usado pela equipe da instituição para projetar o PIB (Produto Interno Bruto) e disse que algumas variáveis usadas talvez não fossem as mais adequadas.

"Agora estão rodando as projeções para o ano que vem, de que (o crescimento) será de 0,5%. Vão errar de novo, será muito mais do que isso. Nosso real problema é a inflação, mas o crescimento está vindo. Ainda não sabemos o nível, 2%, poderia ser um pouco mais, um pouco menos, mas estou falando apenas de fatos. Uma coisa é barulho, política, narrativas. Outra coisa são fatos", afirmou Guedes.

Ele citou ainda projeções de alta de "4,2% ou 4,3%" neste ano no PIB. A projeção oficial do governo, no entanto, é de um avanço de 5,3% em 2021.

O ministro destacou ainda o avanço da vacinação contra a covid-19 no país, que ultrapassou ontem a marca de 97,2 milhões de pessoas que completaram a imunização.

Com Reuters e Estadão Conteúdo

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