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'Furar teto de gastos é tão eficaz quanto a cloroquina', diz Eduardo Leite

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), anuncia ações e recursos do Plano de Enfrentamento à Estiagem - Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), anuncia ações e recursos do Plano de Enfrentamento à Estiagem Imagem: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Do UOL, em São Paulo*

22/10/2021 07h37Atualizada em 22/10/2021 14h29

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), criticou a aprovação do furo do teto de gastos orçamentários do governo para 2022. O texto apresentado pelo relator da matéria, o deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), foi aprovado por 23 a 11 pela Comissão Especial da Câmara. A matéria segue para o plenário da Câmara

Pela proposta, o governo federal terá um espaço fiscal de R$ 83 bilhões para gastar a mais em 2022. Isso permitiria o pagamento do Auxílio Brasil, programa social que substituirá o Bolsa Família, de R$ 400 até o fim de 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentará a reeleição.

Para Leite, o governo está colocando o país em uma "pandemia econômica". Ele disparou dizendo que o furo do teto é "tão ineficaz quando a cloroquina", remédio sem eficácia científica comprovada contra a covid-19 e frequentemente usada e anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para o combate à doença.

Leite, que está na disputa das prévias presidenciais do partido, declarou que inflação não é uma "gripezinha". O termo também foi usado pelo chefe do Executivo para se referir ao novo coronavírus, em março de 2020.

"A inflação não é uma gripezinha. Furar o teto é tão eficaz quanto a cloroquina. Os pobres sofrerão mais. Dólar subindo, inflação em alta, pressão na curva de juros e perspectivas até de recessão para 2022. Estão lançando o Brasil na pandemia econômica."

Em um vídeo divulgado no Twitter, o governador tucano disse que o país está assistindo a "populismo e irresponsabilidade fiscal" com a inflação. Leite apontou a necessidade de auxiliar as pessoas mais pobres, mas ponderou a necessidade de isso ser feito de forma organizada.

"De forma estarrecida a gente acompanha as medidas que o governo federal apresenta para, no ano da eleição, colocar dinheiro nas mãos dos pobres sem fazer as escolhas de onde tirar esse dinheiro, simplesmente pedindo licença para furar o teto de gastos. Governar é fazer escolhas. É claro que a gente precisa colocar dinheiro nas mãos dos pobres. No Rio Grande do Sul a gente está fazendo isso, mas depois de fazer reformas que foram importantes", explicou o político.

Secretários se demitem e Guedes continua

Quatro secretários que integravam a equipe do ministro da Economia Paulo Guedes pediram demissão, conforme apuração da colunista Carla Araújo, do UOL. Foram eles: secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, a secretária especial-adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araújo.

Os quatro informaram razões pessoais, segundo o ministério. "Funchal e Bittencourt agradecem ao ministro [Paulo Guedes] pela oportunidade de terem contribuído para avanços institucionais importantes e para o processo de consolidação fiscal do país", diz a pasta.

As demissões acontecem após a confirmação de que o governo planeja uma manobra para driblar o teto de gastos e viabilizar um auxílio social de R$ 400 até o final de 2022, ano em que Bolsonaro tentará a reeleição.

Na última terça-feira (19), Funchal e Bittencourt já haviam ameaçado de se demitir, segundo fontes do Palácio do Planalto, após o presidente determinar o valor de R$ 400 para o programa social Auxílio Brasil, o novo Bolsa Família. O governo chegou a marcar um evento de lançamento, mas ele foi cancelado de última hora, após reação negativa do mercado financeiro e da equipe de Guedes.

Apesar da debandada dos secretários, ontem, o presidente Jair Bolsonaro afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que o ministro Paulo Guedes continuará no governo. O chefe do Executivo disse ainda que a prioridade agora é dar continuidade à agenda de reformas econômicas em pauta no Congresso.

*Com informações de Fabrício de Castro, do UOL, em Brasília

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