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Bolsonaro: Privatização da Petrobras 'entrou no radar', mas é complicada

Do UOL, em São Paulo*

25/10/2021 10h55Atualizada em 25/10/2021 12h41

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje, em entrevista à rádio Caçula FM (Três Lagoas-MS), que a privatização da Petrobras "entrou no radar" do governo, retomando um assunto que lançou há cerca de dez dias. Na ocasião, Bolsonaro disse que tinha vontade de privatizar a estatal e conversaria com a equipe econômica sobre o assunto.

Segundo Bolsonaro, porém, o processo de privatização é uma "complicação enorme", em uma indicação de que não deve levar adiante o projeto na reta final de seu mandato.

"Quando se fala em privatizar Petrobras... Isso entrou no nosso radar. Mas privatizar qualquer empresa não é como alguns pensam, que é pegar a empresa botar na prateleira e amanhã quem der mais leva embora. É uma complicação enorme. Ainda mais quando se fala em combustível. Se você tirar do monopólio do Estado, que existe, e botar no monopólio de uma pessoa particular, fica a mesma coisa ou talvez até pior", disse Bolsonaro.

O presidente levanta a possibilidade de privatização da petroleira em um momento de aumento dos combustíveis. O tema estava entre os planos iniciais do ministro da Economia, Paulo Guedes, mas não tinha sido analisado por Bolsonaro até agora.

A Petrobras tem sido alvo de discussão política à medida que os custos de energia ajudaram a levar a inflação ao consumidor no país a dois dígitos, prejudicando a popularidade do Bolsonaro antes da eleição presidencial do próximo ano.

Bolsonaro já se opôs anteriormente à privatização da Petrobras, por considerar a empresa "estratégica" para os interesses nacionais do Brasil. No entanto, mesmo com seu apoio, alguns participantes do mercado acreditam que um processo de privatização seria difícil, já que precisa haver mudança na legislação a ser aprovada pelo Congresso Nacional.

"Não posso interferir em nada"

O presidente reclamou na entrevista das críticas que tem recebido por conta da inflação em alta no país. "Eu não sou malvado, eu não quero aumento de combustível, mas é uma realidade. O mundo todo está sofrendo com a economia neste pós-pandemia", disse.

Bolsonaro ainda reafirmou que não irá interferir no preço, repetindo o que disse ontem em entrevista ao lado de Paulo Guedes. "Eu não quero aumentar o preço de nada, mas eu não posso interferir em nada."

O discurso de Bolsonaro contradiz o que o próprio presidente defendeu em maio, quando mudou o comando da Petrobras. O presidente nomeou o general Joaquim Silva e Luna após demonstrar insatisfação com os constantes aumentos de combustíveis —os caminhoneiros são uma importante base eleitoral bolsonarista.

"Da nossa parte, eu troquei o comando da Petrobras. No começo, foi um escândalo. É para interferir mesmo, eu sou o presidente. Ou eu assumo e tenho que manter todo mundo empregado?", disse Bolsonaro na ocasião, em encontro com apoiadores.

'Povo com paciência lá embaixo'

Ao concluir a sua opinião sobre a alta dos combustíveis, Bolsonaro disse que o "povo está com a paciência lá embaixo" e citou "críticas absurdas", sem especificar a quais se referia.

"São problemas que não resolvem um, dois, três anos, leva mais tempo do que isso. Agora o povo está com paciência lá embaixo, praticamente esgotou. E vai para as críticas, as mais absurdas possíveis", disse

*Com informações da Agência Reuters.

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