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Com combustíveis em alta, Bolsonaro afirma: 'Não vamos interferir em nada'

Do UOL, no Rio

24/10/2021 11h51

Ao lado de Paulo Guedes, ministro da Economia, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se defendeu de críticas por causa da inflação e do preço dos combustíveis. Ele afirmou que a Petrobras "fica amarrada" à política de preços atual e que não haverá interferência do governo para conter a alta.

"Não vamos interferir no preço de nada porque isso já foi feito no passado e não deu certo", afirmou Bolsonaro.

O discurso de Bolsonaro contradiz o que o próprio presidente defendeu em maio, quando mudou o comando da Petrobras. O presidente nomeou o general Joaquim Silva e Luna após demonstrar insatisfação com os constantes aumentos de combustíveis —os caminhoneiros são uma importante base eleitoral bolsonarista.

"Da nossa parte, eu troquei o comando da Petrobras. No começo, foi um escândalo. É para interferir mesmo, eu sou o presidente. Ou eu assumo e tenho que manter todo mundo empregado?", disse Bolsonaro em encontro com apoiadores.

Em meio à crise política criada com a decisão do governo de furar o teto de gastos para viabilizar o programa Auxílio Brasil —que substituirá o Bolsa Família—, Bolsonaro foi hoje com Paulo Guedes a uma feira no parque de exposições da Granja do Torto, em Brasília.

Na última semana, a permanência de Guedes no cargo foi questionada, e o ministro viu sua posição junto ao mercado enfraquecida após uma onda de demissões na equipe econômica.

Bolsonaro voltou a abordar a possibilidade de privatizar a Petrobras.

"Não tenho poder de interferir sobre a Petrobras. Estou conversando com o Paulo Guedes sobre o que fazer com ela no futuro", afirmou.

Incomodado com as críticas, Guedes tentou sustentar a tese de que continua defendendo as bandeiras liberais e de controle dos gastos públicos. Ele disse em diversos momentos que segue apoiando o teto de gastos, apesar de o governo planejar furá-lo.

"Todos sabem que eu defendo o teto. O teto é uma bandeira nossa de austeridade", insistiu. "Eu sou defensor do teto, vou continuar defendendo o teto. Vou continuar defendendo as privatizações. Mas o presidente tem que tomar uma decisão muito difícil. Se ele respeitar o teto, deixa 17 milhões passando fome."

Guedes ataca Lula e Pacheco

Em um gesto à base bolsonarista, Guedes fez críticas à esquerda e atacou adversários de Bolsonaro na disputa eleitoral de 2022. Citou nominalmente o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e fez menção ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas presidenciais para 2022, sem citá-lo nominalmente.

"A história de que o Brasil não vai crescer é narrativa política. Já está crescendo este ano e vai crescer mais no ano que vem. O presidente sempre apoiou as reformas. É um político popular, mas está deixando a economia ser reformista. Ele não é populista. Tem muito populista aí, inclusive candidato à Presidência, falando em R$ 600, R$ 700, R$ 800. Eles quebraram o Brasil e não taxaram os super-ricos. Quebraram o Brasil e não fizeram nada sobre essa roubalheira", disse Guedes, em referência ao valor defendido por Lula para o auxílio aos mais pobres na última semana, de R$ 600.

Ele também tentou atribuir a Pacheco a responsabilidade por reformas propostas pelo governo, coma a administrativa, não avançarem.

"[Pacheco] Se lança [candidato a] presidente da República agora. Como vai defender a própria candidatura dele se não avançar com as reformas? Não pode fazer militância também, e tenho certeza de que não vai fazer", pressionou Guedes. "Se ele [Pacheco] quiser inclusive se viabilizar politicamente como uma alternativa séria, precisa nos ajudar com as reformas. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), quer avançar, e precisamos que o Senado ajude também."

O presidente também respondeu as críticas de que o Auxílio Brasil, que tem validade até o fim de 2022, tem como único objetivo tentar viabilizar sua reeleição. Sobre a corrida eleitoral, Bolsonaro emendou: "Não estou pensando em eleição agora, tanto é que nem partido eu tenho".

Bolsonaro elogia Guedes

Depois de receber pressões para demitir o seu "Posto Ipiranga", Bolsonaro elogiou Guedes em diversos momentos.

"Paulo Guedes eu conheci praticamente um ano antes da eleição. Deposito total confiança nele. Trabalho excepcional em 2019 e principalmente em 2020", elogiou.

O presidente ainda procurou defender o ministro das críticas que vem recebendo da oposição, intensificadas depois da revelação de que Guedes mantém o controle de empresas offshore em um paraíso fiscal enquanto comanda a economia brasileira. A informação foi publicada pela revista "piauí", com base na investigação transnacional Pandora Papers. O patrimônio de Guedes nessas empresas teve um aumento milionário com a alta do dólar frente ao real.

"Aqueles que acham que derrubar o governo é o suficiente, apresentem a solução. Se a solução for boa, o Paulo Guedes acolhe agora", disse Bolsonaro.

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