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Após furar teto, Guedes cobra que BC 'corra com juro' para conter inflação

O ministro da Economia, Paulo Guedes, em pronunciamento à imprensa - Ueslei Marcelino/Reuters
O ministro da Economia, Paulo Guedes, em pronunciamento à imprensa Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Fabrício de Castro

Do UOL, em Brasília

22/10/2021 18h34

Após reconhecer que o governo federal vai furar o teto de gastos em 2022, o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu nesta sexta-feira (22) que o Banco Central acelere a alta de juros para conter a inflação no Brasil. Durante entrevista coletiva no ministério, Guedes disse que a área fiscal piorou com o estouro do teto e que, por isso, o BC também precisa subir mais a Selic (a taxa básica de juros).

Se o fiscal piorou um pouco, eu voltei [de viagem aos EUA] e o fiscal piorou um pouco, então tem que correr um pouquinho mais com o juro também.
Paulo Guedes, ministro da Economia

A Selic está atualmente em 6,25% ao ano, mas a diretoria do BC irá se reunir na próxima semana para decidir seu novo patamar. A taxa é definida pelo presidente do banco, Roberto Campos Neto, e por seus oito diretores. Como tem autonomia formal desde fevereiro deste ano, em tese o BC tem liberdade para definir qual será o patamar dos juros.

Na reunião anterior, ocorrida em setembro, os dirigentes do BC haviam sinalizado a intenção de elevar a taxa em mais um ponto porcentual neste mês, para 7,25% ao ano.

Economistas do mercado financeiro afirmam, no entanto, que o BC pode ser obrigado a acelerar este processo de alta de juros, já que a inflação não dá trégua. Isso significaria elevar em 1,5 ponto a Selic já na próxima semana, como vinha sendo especulado por investidores na tarde desta sexta-feira. Nos 12 meses encerrados em setembro, o IPCA — o índice oficial de inflação — acumulou alta de 10,25%.

Furo no teto para bancar auxílio em ano eleitoral

O cenário piorou durante a semana, quando ficou clara a intenção do governo de estourar o teto de gastos —a regra fiscal que limita a despesa pública ao Orçamento do ano anterior, corrigido pela inflação.

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios, aprovada na quinta-feira em comissão especial da Câmara, com o patrocínio do governo Bolsonaro, prevê a possibilidade de o governo gastar R$ 83 bilhões a mais em 2022.

Parte destes recursos bancará o Auxílio Brasil, o programa social que substituirá o Bolsa Família, no valor de R$ 400. O benefício será pago a 17 milhões de famílias até o fim do próximo ano, quando Bolsonaro tenta a reeleição.

Na tarde desta sexta-feira, Guedes afirmou que, com a PEC dos Precatórios, o estouro do teto ficará próximo de R$ 34 bilhões em 2022. Na prática, isso significa que o governo gastará mais que o previsto, o que pressiona ainda mais a inflação. Além disso, o estouro do teto manda um sinal negativo para os investidores, o que se traduz na alta do dólar e na queda da Bolsa.

Guedes responsabiliza BC

Guedes, no entanto, jogou a responsabilidade do controle da inflação para o BC. "Toda vez que tiver aumento localizado, [de] comida, material de construção, é temporário. Agora, se está virando [um aumento] generalizado, se está subindo tudo, todo mundo tem que olhar para o Banco Central", disse.

O ministro afirmou ainda que a área fiscal estava "perfeitamente sob controle" até sua viagem aos Estados Unidos, ocorrida entre 18 e 22 de outubro, para reunião do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo.

"Quando saí para ir aos Estados Unidos, o fiscal estava super arrumado. Então, se a inflação está subindo, vamos correr atrás", disse Guedes, novamente em referência ao BC.

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