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Sindicato: 500 chefes da Receita entregam cargo após corte de verbas

Do UOL, em São Paulo*

22/12/2021 12h38Atualizada em 22/12/2021 17h12

Mais de 500 chefes de unidades da Receita Federal entregaram o cargo hoje, segundo estimativa do Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil). O ato em conjunto acontece por causa do corte de verbas no Orçamento de 2022 para a Receita e da não regulamentação de um bônus para o setor.

Os analistas tributários também entraram no movimento de entrega de cargos —eles ocupam cargos de chefes de agências e de equipes regionais. Hoje, cerca de 2.000 funcionários ocupam funções de chefia na receita, que ainda conta com 7.000 auditores e 5.500 analistas, de acordo com o sindicato.

Pela manhã, Kleber Cabral, presidente da Sindifisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil), disse, em entrevista ao UOL News, que há risco de greve do órgão. "Esses cortes na Receita foram feitos para propiciar reajustes para as carreiras policiais", disse.

O Congresso aprovou R$ 1,7 bilhão para conceder aumento de salário a servidores, uma demanda do presidente Jair Bolsonaro, em aceno à sua base eleitoral. Embora o Orçamento não defina que categorias serão beneficiadas, o acordo é para dar aumento a policiais.

Segundo o Sindifisco, 324 profissionais da categoria já entregaram seus cargos comissionados. Já houve baixa de todos os delegados em 10 regiões fiscais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte, Paraíba, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Para Cabral, o acordo mostra que o governo desprestigia a Receita.

Causou uma indignação muito grande dentro do órgão. Foi um fogo no palheiro. Já existia um sentimento de desprestígio acumulado de muito tempo, mas agora isso chegou e causou uma indignação enorme. Está havendo desde ontem uma entrega de cargos em todo o país. Cerca de 90% dos chefes de unidade já entregaram os cargos.
Kleber Cabral, presidente da Sindifisco, ao UOL News

Cabral disse que a aprovação do reajuste a policiais federais mostrou um "apreço muito especial [da categoria] por parte do ministro da Justiça, o que é natural, pelo presidente da República e por parte do Congresso". Em contraposição, para ele, a Receita está sofrendo cortes de orçamentos que são essenciais para o seu funcionamento.

Possibilidade de greve

Segundo o sindicato, será realizada uma assembleia amanhã para definir se haverá uma paralisação total das atividades da categoria, incluindo a operação padrão na área aduaneira.

A ação, declara o presidente da Sindifisco, é para ver se o governo federal e o Congresso "acordam para o grau de descompromisso" que tiveram com o órgão.

"Não sobrou alternativa, a não ser demonstrar com muita força, muita contundência, o grau de indignação que isso tem causado. É uma situação de sobrevivência do órgão. Foi cortada metade dos recursos e mais de R$ 600 milhões só a área de Tecnologia da Informação", disse.

Guedes deixou 'bagunça'

Cabral criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, dizendo que a situação acontece enquanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, está saindo de férias. A Receita é um órgão subordinado ao Ministério da Economia.

"O ministro Guedes deixou essa bagunça e saiu de férias. Isso que nos decepciona e nos chateia demais."

Segundo o sindicato, o atual ministro da Justiça, Anderson Torres, "brigou" pela categoria de policiais federais, enquanto Guedes "dá ok para cortar o orçamento" da Receita.

*Com informações do Estadão Conteúdo e de Carla Araújo, colunista do UOL
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Errata: o texto foi atualizado
A Receita Federal tem cerca de 2.000 funcionários em funções de chefia, e não 100 como o texto e a home page do UOL afirmavam anteriormente. A informação foi corrigida