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Quem é e o que pensa Adriano Pires, indicado a ser presidente da Petrobras

Economista já defendeu a privatização da Petrobras e criticou o intervencionismo exagerado do Estado na empresa - Pedro França/Agência Senado
Economista já defendeu a privatização da Petrobras e criticou o intervencionismo exagerado do Estado na empresa Imagem: Pedro França/Agência Senado

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

29/03/2022 10h33Atualizada em 29/03/2022 14h58

O economista Adriano Pires foi o nome indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para assumir a presidência da Petrobras, até então comandada pelo general Joaquim Silva e Luna, como publicado na segunda-feira (28) pela colunista do UOL Carla Araújo. A mudança ainda precisará ser validada pela Assembleia Geral Ordinária da companhia, que acontece daqui a duas semanas, em 13 de abril.

Bacharel pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Pires também é mestre em Planejamento Energético e Tecnologia em Petróleo e Gás pela mesma instituição e doutor em Economia Industrial pela Université Paris 13, na França, segundo informações de seu perfil no LinkedIn.

Por 26 anos, de 1983 a 2009, foi professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COPPE) da UFRJ, onde diz ter desenvolvido atividades e pesquisas nas áreas de economia da regulação, economia da infraestrutura e aspectos legais e institucionais da concessão de serviços e tarifas públicos. Neste meio tempo, entre 1998 e 2001, trabalhou na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) como superintendente de importação e exportação, depois como superintendente de abastecimento e, por último, como assessor do diretor-geral.

É diretor fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e também foi colunista do jornal O Estado de S. Paulo (2014-2017) e do portal Poder360 (2017-2022), ainda de acordo com seu currículo profissional.

Defensor da privatização

Em outubro de 2021, em texto publicado no Poder360, Adriano Pires defendeu a privatização da Petrobras, argumentando que "enquanto a empresa for de economia mista, tendo o Estado como controlador, os seus benefícios corporativos e as práticas monopolistas serão mantidos — a favor da corporação e, muitas das vezes, contra os interesses do Brasil."

Segundo o economista, a venda da companhia seria a "solução definitiva" para "resolver o problema da precificação dos combustíveis".

O que não podemos é esconder subsídios intervindo nos preços da Petrobras na refinaria.
Adriano Pires, no Poder360

Crítico do intervencionismo

Pires também já se posicionou contra a intervenção do Estado na Petrobras em mais de uma ocasião. Além da coluna do Poder360, ele disse em entrevista concedida à Veja neste mês que espera e torce para que o governo Bolsonaro "resista à tentação de intervir na Petrobras" e de "fazer políticas de congelamento de preços".

"Se o caminho for o da intervenção vai ser um desastre para o país. O congelamento dos preços é a pior política possível. Sempre que se faz políticas de congelamento o resultado imediato é gerar um desabastecimento, e o desabastecimento de combustíveis no Brasil seria uma tragédia", afirmou.

Esse seria o pior caminho. (...) O congelamento de preços seria uma tragédia.
Adriano Pires, à Veja

Soluções para os preços altos

Em 2021, também no Poder360, Adriano Pires defendeu outras três alternativas, além da privatização da Petrobras, para conter a alta dos combustíveis. São elas:

  • Criação de um fundo de estabilização dos preços, com o uso de parte da receita adicional dos royalties recebidos pelo governo;
  • Adoção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), "mas não a mais recente, que foi distorcida no governo do PT";
  • Volta da conta-petróleo, chamada de PPE (Parcela de Preço Específica), um mecanismo pelo qual o Tesouro Nacional bancava a diferença entre o preço do petróleo importado e aquele produzido no Brasil pela Petrobras, como explicou a Folha de S.Paulo em 2002.

Já para o gás de cozinha, ainda de acordo com o economista, a solução seria criar um cartão a ser carregado com um valor que permitisse às famílias inscritas no Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) comprar um botijão a preços inferiores aos praticados no mercado.

"Os recursos poderiam vir de inúmeras fontes, desde os royalties [do petróleo] até parte do fundo social gerenciado pela PPSA [Pré-sal Petróleo S.A.]", disse.