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Trabalhadores de apps marcam nova paralisação contra iFood e Uber na sexta

Paralisação de 2020 pedia melhores condições de trabalho - JACQUELINE LISBOA/ESTADÃO CONTEÚDO
Paralisação de 2020 pedia melhores condições de trabalho Imagem: JACQUELINE LISBOA/ESTADÃO CONTEÚDO

Henrique Santiago

Do UOL, em São Paulo

31/03/2022 18h16Atualizada em 01/04/2022 11h54

Uma nova paralisação de entregadores e motoristas de aplicativo está prevista para acontecer nesta sexta-feira (1º) pelo Brasil. É a segunda manifestação por melhores condições de trabalho feita na semana, agora coordenada apenas por trabalhadores avulsos, sem a participação de sindicatos e associações de classe.

O ato deve ser realizado em pelo menos cinco estados, segundo os organizadores: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rondônia.

De acordo com o motoboy Paulo Lima, o Galo, o protesto teria como ponto de partida o descumprimento, pelo iFood, de um plano de ações prometido aos entregadores no 1º Fórum de Entregadores do Brasil, realizado em dezembro. Liderança dos Entregadores Antifascistas, Galo ficou conhecido nas manifestações de 2020 contra os apps. Apesar de ainda ser visto como liderança, ele não trabalha mais com os apps porque diz ter sido bloqueado.

Galo afirma que, entre as promessas descumpridas pelo iFood, estão o aumento anual dos repasses e tornar mais rápido o processo em que um entregador deixa de trabalhar cumprindo horário e passa para o modelo em que ele tem mais autonomia para entrar e sair.

A data final para agilizar esse processo encerra nesta quinta-feira (31). "O iFood não cumpriu o compromisso com os entregadores. Por isso, a empresa será colocada como 'pai da mentira' [referência ao dia da mentira, em 1º de abril]."

Prazo final será abril, diz iFood

O iFood responde que tem se dedicado a cumprir todas as melhorias pactuadas no prazo estabelecido. Entretanto, estendeu o prazo de março para o final de abril para entregar as demandas acordadas com os entregadores.

"Dentre os 18 compromissos assumidos, 15 deles já foram endereçados até o presente momento e temos a pretensão
de cumprir com todos os 18 até o fim de abril", diz, em nota para o UOL.

O iFood informa que ainda estão em andamento três demandas: campanha de valorização do trabalho dos entregadores, revisão do processo de contestação de desativação de entregadores OLs e contestação de entregadores excluídos da plataforma.

Segundo a empresa, o processo de migração de OL para nuvem, que passou de 60 dias para 35 dias, foi antecipado e entregue ainda em dezembro de 2021, após o fórum.

A partir de sábado (2), o valor mínimo por rota passará a ser de R$ 5,31 para R$ 6 e o quilômetro rodado será de R$ 1,50, e não mais R$ 1.

iFood não é o único alvo

Paulo Lima, o Galo, é criador do grupo Entregadores Antifascistas - Felipe Larozza/UOL - Felipe Larozza/UOL
Paulo Lima, o Galo, é criador do grupo Entregadores Antifascistas
Imagem: Felipe Larozza/UOL

Ainda que destaque as críticas ao iFood, a manifestação desta sexta também tem como alvo outros aplicativos de corrida e delivery, como Uber, 99 e Rappi. "É tudo que está relacionado à uberização e à precarização do trabalho", diz Galo.

Em São Paulo, os entregadores prometem fazer um protesto na sede do iFood, localizada em Osasco, na região metropolitana. "Vamos chamar atenção para o descaso do iFood com o trabalhador", diz. A depender da adesão, os trabalhadores dizem que podem estender a paralisação para sábado (2) e domingo (3).

Além de irem para as ruas, os trabalhadores dizem que farão uma campanha nas redes sociais chamada Apagão dos Apps. Essa ação já aconteceu em outras ocasiões. Ela pede, por meio da hashtag #apagaodosapps, que os consumidores não façam pedidos de refeição ou corridas nesses aplicativos e que avaliem os apps das empresas com nota baixa.

Protesto na terça teve adesão abaixo do esperado

Na terça (29), entregadores e motoristas de aplicativo protestaram em pelo menos 17 cidades pelo país, segundo os próprios trabalhadores. A adesão foi menor que o esperado. A expectativa dos organizadores era de protestos em todas as capitais e em municípios na região metropolitana e do litoral de São Paulo, como Santos, e Rio de Janeiro, como Volta Redonda.

Galo aponta discordâncias entre as lideranças de motoristas e entregadores, mas nega divisão no movimento.

Em 2021, cidades do interior paulista, como São Roque, Sorocaba e São José dos Campos, aderiram a greves e paralisações, mas foram movimentos menores que o "breque" de julho de 2020.

"Está tudo conectado, não temos um sindicato ou uma organização por trás que consiga controlar. A coisa vai pipocando e fugindo do controle. O negócio é orgânico", diz.

Segundo Galo, ele foi bloqueado das plataformas de emprega, como o próprio iFood, após participar de atos contra essas companhias. Atualmente, ele trabalha como motoboy particular. "Para mim, está melhor, acabei conhecendo novos clientes. Mas a minha realidade não é a de todo mundo", declara.

O que dizem as empresas

Em nota enviada ao UOL, a Rappi declarou que reconhece o direito à livre manifestação política. "Para garantir o funcionamento da operação, a empresa irá monitorar todos os indicadores para tomar as decisões com base neles, de forma a garantir o melhor serviço a todo o seu ecossistema."

Já a 99 disse que está trabalhando para construir novas soluções para os parceiros. "A plataforma criou um adicional variável de combustível que aumenta sempre que o combustível sobe, com proporção calculada à partir de dados da ANP e valores diferentes para cada estado."

Procurada, a Uber não se manifestou até a publicação desta matéria.