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Bolsonaro critica lucros da Petrobras: 'Quer ser campeã do mundo'

Jair Bolsonaro voltou a criticar lucros da Petrobras - Alan Santos/PR
Jair Bolsonaro voltou a criticar lucros da Petrobras Imagem: Alan Santos/PR

Do UOL, em São Paulo*

16/05/2022 15h19Atualizada em 16/05/2022 16h36

O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a criticar hoje os lucros da Petrobras e disse que a empresa quer ser "campeã do mundo" após a estatal ter registrado lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

"Todos têm que ter consciência, apertar o cinto, salvar o Brasil como fizeram todas as petrolíferas do mundo. Diminuíram seu lucro. Exceto a Petrobras Futebol Clube. Essa está preocupada em ser a campeã do mundo", disse o chefe do Executivo federal.

Enquanto nós pensamos em ser campeão brasileiro, a Petrobras quer ser campeã do mundo. Nada contra a empresa ter lucro. Tem que ter lucro, senão não existe mercado livre, não existe democracia. Ser contra o capitalismo, a gente sabe que isso não dá certo. Jair Bolsonaro (PL), presidente da República

"E aí a gente é obrigado a mexer nas peças do tabuleiro. Dói mandar alguém embora ou quando alguém pede para ir embora? Dói, não é fácil, mas as coisas acontecem e nós temos que mudar. Pior que uma decisão mal tomada é uma indecisão", completou Bolsonaro na cerimônia de abertura do Apas Show, evento da Associação Paulista de Supermercados.

Na última quarta-feira (11), o presidente demitiu Bento Albuquerque do cargo de ministro de Minas e Energia. Em seu lugar entrou Adolfo Sachsida, ex-assessor especial do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Desde então, está sendo especulada também uma nova troca no comando da Petrobras. A estatal está no centro da crise econômica no Brasil em função do elevado preço dos combustíveis. Ontem, quando questionado se a mudança ocorreria, Bolsonaro disse "pergunta para o Adolfo Sachsida", afirmando que o ministro tem carta branca sobre o assunto.

O poder do presidente sobre a Petrobras

Em meio a alta dos combustíveis, Bolsonaro culpou inúmeras vezes os governadores, responsáveis pela cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pelos valores. No entanto, os preços continuaram subindo mesmo após o congelamento do ICMS pelos mandatários estaduais.

O presidente também passou a atacar a Petrobras e o lucro da estatal, eximindo-se de responsabilidades. No entanto, especialistas ouvidos pelo UOL explicam que o presidente pode, de maneira indireta, interferir nos preços praticados pela companhia.

A Petrobras é uma empresa de capital misto, mas a União é a maior acionista, por isso tem direito a eleger mais profissionais para o Conselho de Administração da estatal. O conselho, por sua vez, indica o CEO e diretores para, de fato, administrarem a companhia.

Inflação

Durante o evento, Bolsonaro também reconheceu que a inflação terá um impacto nas eleições de 2022, quando ele deve disputar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a preferência dos eleitores. Sem citar o petista nominalmente, Bolsonaro mostrou acreditar que o eleitor faz comparações entre passado e presente na hora de escolher seu candidato.

"Uma parte da população não sabe ver diferença. Olha na ponta da linha como está o preço na gôndola do supermercado e vota de acordo com o que está vendo, achando que vai voltar o diesel a R$ 3, a lata de óleo a R$ 5", declarou o presidente, pré-candidato à reeleição.

Bolsonaro, no entanto, voltou a jogar a culpa da inflação na crise trazida pela pandemia da covid-19 e nas medidas de contenção do coronavírus.

*Com Estadão Conteúdo