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Ex-presidente da Petrobras diz a blog que Bolsonaro queria impor diretores

Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras - Amanda Perobelli/Reuters
Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras Imagem: Amanda Perobelli/Reuters

Do UOL, em São Paulo

28/06/2022 16h05Atualizada em 28/06/2022 17h04

O ex-presidente da Petrobras e economista Roberto Castello Branco disse ao blog da jornalista Ana Flor, no site G1, que recebeu pedidos do presidente Jair Bolsonaro (PL) para indicar diretores e abaixar o preço dos combustíveis. Ele disse que as solicitações começaram no ano passado.

Castello Branco já havia falado que possuía mensagens no celular corporativo capazes de incriminar o chefe do Executivo e novamente negou comportamento criminoso ou prevaricação de sua parte. O economista disse que devolveu o telefone funcional para a Petrobras ao deixar o cargo, em abril de 2021.

"Se conseguirem recuperar as mensagens, vai comprovar isso, que eu não cometi crime nenhum e não atendi ao pedido do presidente", falou.

Castello Branco também afirmou que, caso tivesse acatado as ordens de Bolsonaro, ele ainda estaria à frente da estatal. "Se eu tivesse feito o que o presidente queria, aí sim, quem estaria cometendo crime seria eu", disse.

Ontem, senadores pediram informações ao Ministério de Minas e Energia a respeito do celular que Castello Branco utilizou enquanto presidia a Petrobras.

No pedido, os parlamentares requerem esclarecimentos sobre as regras internas para a preservação dos dados de ex-ocupantes da estatal e solicitam cópia dos arquivos de mensagens, inclusive em aplicativos de mensagens, dos aparelhos telefônicos celulares utilizados pelos presidentes da Petrobras desde 2019.

Já a bancada do PT na Câmara apresentou notícia-crime ao procurador-geral da República, Augusto Aras, e também ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acusando o ex-presidente da Petrobras de se omitir ao não apresentar às autoridades possíveis provas de crimes de Bolsonaro.

Ataques à Petrobras

A crise no preço dos combustíveis é um ponto de pressão no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), tanto pela rejeição popular que tem causado quanto pelas tensões internas que têm intensificado. O momento também ocorre em ano eleitoral, no qual Bolsonaro irá pleitear a reeleição.

O governo Bolsonaro culpa, principalmente, a Petrobras e os governadores estaduais pelos aumentos nos combustíveis. Governadores, no entanto, culpam Bolsonaro pelo aumento dos preços. Eles lembram que, no fim de 2021, congelaram o ICMS e os preços dos combustíveis continuaram subindo mesmo assim.

Os constantes ataques de Bolsonaro e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), à estatal ocasionaram a renúncia do seu presidente, José Mauro Coelho, na semana passada. Hoje, Caio Paes de Andrade assumiu a presidência da estatal, se tornando o quarto executivo a ocupar essa vaga na gestão de Bolsonaro.

A Petrobras adota uma política que repassa para os preços dos combustíveis os aumentos do petróleo no mercado internacional e do dólar. O petróleo está em alta lá fora, sobretudo por causa da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

O presidente Bolsonaro tem o poder de trocar a presidência e a maioria do conselho de administração da Petrobras, e é esse conselho que define a política de preços.

(Com Reuters e Agência Estado)