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Caio Paes de Andrade assume a presidência da Petrobras

Caio Mario Paes de Andrade tomou posse como presidente da Petrobras hoje - Michel Jesus/Câmara dos Deputados
Caio Mario Paes de Andrade tomou posse como presidente da Petrobras hoje Imagem: Michel Jesus/Câmara dos Deputados

Do UOL, em São Paulo

28/06/2022 12h21Atualizada em 28/06/2022 15h45

Caio Mário Paes de Andrade assumiu a presidência da Petrobras hoje. A Petrobras informou que Andrade tomou posse no Rio de Janeiro, em agenda interna. O nome dele foi aprovado ontem pelo Conselho de Administração da Petrobras, por 7 votos a 3. Ele foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e será o quarto presidente da companhia durante o atual governo. O mandato segue até abril de 2023.

Embora Andrade não tenha essa experiência na área de óleo e gás, o Comitê de Elegibilidade da Petrobras interpretou que seu trabalho em outras áreas é suficiente.

Caio de Andrade foi secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, ligado ao Ministério da Economia e responsável pela plataforma do governo (gov.br). Ele é membro dos conselhos de Administração da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e da PPSA (Pré-Sal Petróleo).

As regras de governança da Petrobras determinam que o indicado tenha "experiência em liderança, preferencialmente, no negócio ou em área correlata".

Novo presidente diz que não recebeu orientações do governo

Na semana passada, Caio de Andrade disse que não recebeu orientações do governo em relação à mudança da política de preços da Petrobras, mostrou documento divulgado neste sábado.

Já o presidente Jair Bolsonaro declarou na última quarta (22) que Paes de Andrade deveria trocar toda a diretoria da companhia quando assumisse o posto. "Qual a ideia desse novo presidente da Petrobras? Obviamente, ele vai trocar seus diretores", disse Bolsonaro em entrevista à Rádio Itatiaia.

Currículo questionado

Essa é a terceira troca na chefia da Petrobras durante o governo Bolsonaro. A empresa já foi presidida por Roberto Castello Branco, pelo general Joaquim Silva e Luna e José Mauro Coelho, que renunciou após 67 dias no cargo, período em que foi alvo de críticas de Bolsonaro e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por causa da política de preços praticada pela Petrobras.

A representante dos funcionários no Conselho de Administração da Petrobras, Rosangela Buzanelli, disse na quinta-feira (23) que Caio Mário Paes de Andrade não seria elegível para assumir o cargo considerando o currículo dele e as exigências do estatuto da companhia, mas admitiu que "as pressões são grandes" para a aprovação.

A Anapetro (Associação Nacional dos Petroleiros Acionistas Minoritários da Petrobras) também protestou contra a indicação, dizendo que Andrade não tem os requisitos legais para assumir o cargo e apresenta risco à companhia e seus acionistas minoritários.

"Andrade não possui notório conhecimento na área, além de ser formado em comunicação social, sem experiência no setor de petróleo e energia", diz a manifestação da entidade.

A associação protocolou uma denúncia na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) contra a nomeação de Paes de Andrade e pediu que a entidade adotasse medidas para interromper o processo.

No dia 20 de junho, a CVM já havia aberto uma apuração envolvendo a troca de comando da Petrobras. A comissão instaurou um processo para verificar notícias que anteciparam a renúncia do então presidente José Mauro Coelho.