IPCA
0,83 Mai.2024
Topo

Justiça autoriza acesso a e-mails de diretores das Americanas

Lojas Americanas: gigante do varejo e e-commerce para por escândalo após rombo contábil de R$ 20 bilhões - Divulgação
Lojas Americanas: gigante do varejo e e-commerce para por escândalo após rombo contábil de R$ 20 bilhões Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

26/01/2023 19h01Atualizada em 26/01/2023 19h08

O Tribunal de Justiça de São Paulo deu razão a uma ação movida pelo Banco Bradesco contra as Lojas Americanas.

À Justiça, o Bradesco afirmou ser credor de R$ 4,7 bilhões às Americanas e pediu autorização para a "produção antecipada de provas" contra a empresa — ou seja, antes que o Bradesco consolide uma ação indenizatória, por exemplo, ou cobre o dinheiro das Americanas.

O banco autor sustenta que é necessário identificar e demandar os agentes individuais que contribuíram para a consumação da fraude: os administradores, que participaram da elaboração das demonstrações financeiras adulteradas e os acionistas, que aprovaram referidos documentos financeiros" Trecho da decisão judicial

A juíza Andréa Galhardo Palma decidiu que deverão ser entregues e armazenados os e-mails dos seguintes interlocutores:

  • Diretores das Americanas, dos atuais e dos que ocuparam tais cargos pelos últimos dez anos;
  • Membros do Conselho de Administração e do Comitê de Auditoria das Americanas, dos atuais e dos que ocuparam tais cargos nos últimos dez anos;
  • Funcionários da área de contabilidade e de finanças da companhia, dos atuais e dos que ocuparam tais cargos pelos últimos dez anos.

Também foram nomeadas as consultorias Ernst & Young Assessoria Empresarial e a especialista em investigações corporativas Patrícia Punder para realizar uma perícia nos e-mails, a fim de descartar possíveis fraudes e falsificações.

Ao analisar o pedido do Bradesco, a juíza ponderou que as Americanas contam com um Comitê Independente para avaliar como se chegou a um rombo contábil de R$ 20 bilhões, conforme anunciado pela própria empresa.

Mesmo assim, ela não descartou a possibilidade que indivíduos tentem ocultar possíveis provas:

"Diante da elevada possibilidade de responsabilização individual em diversas esferas (criminal, administrativa, cível) dos agentes envolvidos com a suposta fraude, não são improváveis os riscos de destruição ou inutilização de provas documentais como 'e-mails, ofícios, relatórios internos, etc'", argumentou.