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Flávio cita Selic para criticar PT e acaba atingindo governo Bolsonaro

Flávio e Jair Bolsonaro em evento do PL em Brasília - 27.mar.2022 - Evaristo Sá/AFP
Flávio e Jair Bolsonaro em evento do PL em Brasília Imagem: 27.mar.2022 - Evaristo Sá/AFP

Do UOL, em São Paulo

02/02/2023 23h32Atualizada em 03/02/2023 11h44

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou o valor atual da taxa básica de juros para criticar o PT, mas acabou atingindo o governo do próprio pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O parlamentar fez um comentário sobre uma mensagem da presidente do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann.

Ela havia publicado uma mensagem no Twitter dizendo que "não há economia que resista a uma taxa de juros de 13,5%" —a taxa, na verdade, é de 13,75%. "O Brasil precisa urgente de crescimento, para gerar empregos e oportunidades. O país não pode ficar esperando q (sic) o Banco Central caia na real."

Pelo visto, na turma do PT é mais fácil culpar o médico pelo diagnóstico do que fazer o tratamento correto. [A] Taxa de juros baixa exige contas públicas organizadas e previsibilidade, tudo o que tínhamos no governo Bolsonaro. Em tempo: a taxa de juros está em 13,75% ao ano, não 13,5%, como informou a petista [Gleisi Hoffmann].
Flávio Bolsonaro, no Telegram

Elevação na gestão Bolsonaro

Mas, ao criticar o governo do PT, Flávio acabou atingindo o próprio pai. Isso porque Bolsonaro iniciou a sua gestão, em 2019, com a Selic em 6,5%, e deixou o cargo, em dezembro de 2022, com uma taxa em 13,75% —a mesma de agora.

O governo bolsonarista deixou ainda o equivalente a R$ 255,2 bilhões em despesas contratadas e não pagas para 2023.

Chamados tecnicamente de restos a pagar —RAPs—, os valores são transferidos de um ano para outro e se transformam em um "orçamento paralelo", competindo por espaço com os novos gastos.

O governo Bolsonaro, em sua reta final, também vivenciou "medidas populistas" tomadas no período eleitoral e que já cobram seu preço, com "subida do juros e da dívida pública", conforme análise publicada na DeutscheWelle.

Manteve o mesmo patamar. Ontem, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu manter, pela quinta vez seguida, a taxa básica de juros em 13,75%.

A primeira de Lula. Esta foi a primeira reunião do comitê no ano —ou seja, a primeira realizada no novo mandato do petista.

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro.

Selic nas últimas dez reuniões

  • 01 de fevereiro de 2023: 13,75% ao ano
  • 07 de dezembro de 2022: 13,75% ao ano
  • 26 de outubro de 2022: 13,75% ao ano
  • 21 de setembro de 2022: 13,75% ao ano
  • 03 de agosto de 2022: 13,75% ao ano
  • 15 de junho de 2022: 13,25% ao ano
  • 04 de maio de 2022: 12,75% ao ano
  • 16 de março de 2022: 11,75% ao ano
  • 02 de fevereiro de 2022: 10,75% ao ano
  • 08 de dezembro de 2021: 9,25% ao ano