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Na primeira decisão sob Bolsonaro, BC mantém juros a 6,5% ao ano

Do UOL, em São Paulo

2019-02-06T18:23:02

2019-02-06T20:00:20

06/02/2019 18h23Atualizada em 06/02/2019 20h00

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (6) manter a taxa básica de juros (Selic) em 6,5% ao ano. É a sétima reunião seguida em que os juros são mantidos nesse nível. Em março de 2018, houve queda de 6,75% para 6,5% ao ano, taxa que foi mantida nas sete reuniões seguintes, incluindo a desta quarta.

Com isso, a Selic continua em seu menor nível desde que o Copom foi criado, em 1996, e a poupança segue rendendo menos (leia mais abaixo). A decisão, que foi unânime, foi a primeira do Copom no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas o BC ainda está sob o comando de Ilan Goldfajn, indicado pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). 

O nome de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para chefiar o BC, ainda precisa ser aprovado pelo Senado para que ele possa assumir o cargo. A expectativa é de que isso ocorra até março.

Nesta quarta, Campos Neto enviou uma carta ao Senado na qual diz que pretende preparar o BC para o avanço de novas tecnologias, entre elas as fintechs --plataformas de serviços financeiros-- e o blockchain --tecnologia por trás das criptomoedas.

BC indica menor risco de inflação

Em comunicado divulgado após a decisão, o BC indicou uma redução no risco de avanço da inflação neste ano. "O Comitê avalia que, desde o último Copom, especialmente quanto ao cenário externo, houve arrefecimento dos riscos inflacionários", disse a entidade.

No documento, o BC manteve a projeção de inflação para 2019 pelo cenário de mercado a 3,9%, mesmo patamar visto no Relatório Trimestral de Inflação de dezembro. Para 2020, a estimativa subiu agora a 3,8%, contra 3,6% anteriormente.

Taxa caiu de 14,25% para 6,5% ao ano

Em outubro de 2016, o BC deu início a uma sequência de 12 cortes na Selic, que foi interrompida em maio do ano passado. Neste período, a taxa de juros caiu de 14,25% ao ano para 6,5% ano, patamar mantido desde então.

Juros ao consumidor são mais altos

A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para outras taxas de juros (financiamentos) e para remunerar investimentos corrigidos por ela. A Selic não representa exatamente os juros cobrados dos consumidores, que são muito mais altos.

Segundo os últimos dados divulgados pelo BC, a taxa de juros do cheque especial atingiu em dezembro 312,6% ao ano, em média. Os juros do rotativo do cartão de crédito ficaram em 285,4% ao ano, em média.

Poupança rende menos

Desde setembro de 2017, a poupança passou a render menos devido a uma regra criada em 2012. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança é de 6,27% ao ano (0,5% ao mês) mais TR (Taxa Referencial).

Porém, quando a Selic é igual ou menor que 8,5%, a poupança passa a render 70% da Selic mais TR. Isso, na prática, representa um rendimento menor.

Juros x inflação

Os juros são usados pelo BC como uma ferramenta para tentar controlar a inflação. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo. 

A meta é manter a inflação em 4,25% este ano, mas há uma tolerância de 1,5 ponto para cima e para baixo, ou seja, pode variar entre 2,75% e 5,75%. Na prévia de janeiro, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), a inflação acumulada em 12 meses foi de 3,77%. Em 2018, a inflação fechou em 3,75%, dentro da meta do governo.

Para o mercado financeiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial, vai fechar 2019 dentro da meta, em 3,94%.

(Com agências de notícias)

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