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Lula chama Selic a 13,75% de vergonha: 'Não combina com nossa necessidade'

Do UOL, em São Paulo

06/02/2023 12h32Atualizada em 06/02/2023 14h12

O presidente Lula (PT) criticou hoje a taxa básica de juros durante a posse de Aloizio Mercadante na presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

"Não existe nenhuma justificativa para a taxa de juros a 13,5% (sic), é só ver a carta do Copom para ver a vergonha que é esse aumento de juros e a explicação que deram para sociedade brasileira", afirmou.

O problema não é a independência do Banco Central, é que esse país tem uma cultura de viver com o juro alto que não combina com a necessidade de crescimento que temos
Lula

A Selic, taxa básica de juros da economia, está em 13,75% desde 3 de agosto. Na última reunião, em 1º de fevereiro, o Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) manteve o percentual pela quinta vez consecutiva.

Na ata do encontro, que explica a decisão, o Copom disse que governo Lula trazia incerteza. "A conjuntura, particularmente incerta no âmbito fiscal e com expectativas de inflação se distanciando da meta em horizontes mais longos, demanda maior atenção na condução da política monetária", disse o texto.

Apesar da manutenção, a taxa é a maior desde janeiro de 2017, quando estava no mesmo patamar. A última vez que a taxa teve valor mais alto que esse foi no ciclo de outubro a novembro de 2016, quando chegou a 14% ao ano.

Como a taxa de juros é definida?

Juros altos encarecem o crédito e desestimulam investimentos. Os juros são usados como uma ferramenta para tentar controlar a inflação ou tentar estimular a economia.

  • quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair;
  • quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo;
  • autoridades monetárias buscam um equilíbrio entre esses fatores e estabelecem metas de inflação para tentar frear o risco de recessão.

Apesar das reiteradas críticas de Lula aos juros altos, o Copom ao anunciar a sua decisão na semana passada disse ser necessária a manutenção da Selic por um período "mais prolongado do que no cenário de referência". Antes o Banco Central falava em período "suficientemente prolongado".