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OPINIÃO

Análise: Haddad está sob teste e mercado quer saber qual será a força dele

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/02/2023 14h10

Na avaliação da colunista do UOL Mariana Londres, a decisão sobre o possível fim da desoneração de tributos federais sobre a gasolina e o etanol servirá para mostrar ao mercado qual é a força do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

É um teste [para medir a força de Haddad no governo Lula] e a gente tem que lembrar que Haddad tem ao lado dele a equipe técnica do Ministério da Fazenda. (...) é um teste e o mercado está de olho nisso. Mariana Londres

Durante participação no UOL News, a colunista do UOL também recordou que Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, afirmou na última semana que era importante para o Ministério da Fazenda acabar com a desoneração.

O assunto, inclusive, se tornou alvo de disputa entre a ala política do governo e a equipe técnica de Haddad. Enquanto a ala política teme um desgaste do governo por conta do aumento do preço dos combustíveis, a equipe de Haddad defende a desoneração por representar um incremento na arrecadação federal.

Haddad já perdeu batalha. Mariana Londres também afirmou durante participação no programa que Haddad já perdeu sua primeira batalha no dia 1º de janeiro, quando o presidente Lula (PT) assinou medida provisória que prorrogou a desoneração até 28 de fevereiro.

Cargo mais difícil. A especialista considerou o cargo de ministro da Fazenda um dos mais difíceis dentro do governo e disse que Haddad está em uma situação complexa. "Ele tem que defender o fiscal e a ala política analisa outras questões e tem outros interesses como a inflação e o impacto no bolso do eleitor".

Viagem em momento errado. Haddad participou do encontro do G20 na última semana na Índia e, para Mariana Londres, a viagem complicou a negociação pela desoneração ou não dos combustíveis. "O fato de ele ter saído do Brasil na semana passada também foi uma questão que complicou um pouco essa discussão. (...) ele ter saído do Brasil nesse momento foi um complicador porque ficou fora dessa discussão e não conversou com o presidente Lula".

Chico Alves: Haddad veste figurino de ministro da Fazenda como deveria ao marcar posição

Para Chico Alves, colunista do UOL, a defesa de Haddad pelo fim da desoneração dos combustíveis é coerente com o cargo que ocupa atualmente.

"Haddad defende essa posição porque ele vestiu o figurino de ministro da Fazenda como deveria, era o que se esperava dele. Ele está defendendo o gol dele, que é o ministério da Fazenda, e lá tem uma interlocução com o mercado frequente. Ele está em uma posição que deve ter".

Além disso, Chico criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), dizendo que a decisão da desoneração dos combustíveis foi irresponsável. "Foi um comportamento irresponsável do Bolsonaro ao desonerar os combustíveis dessa forma. Uma atitude eleitoreira sem medir as consequências para o país. É uma mina terrestre que ele deixou pelo caminho".

Madeleine: Mordomias dadas a ex-presidentes são necessárias

A colunista do UOL Madeleine Lacsko defendeu a decisão do governo Lula de liberar a viagem de três seguranças aos Estados Unidos para acompanharem o ex-presidente Bolsonaro em agendas dele no país. Para ela, algumas mordomias a ex-presidentes são necessárias.

"As pessoas não gostam das mordomias dadas a ex-presidentes, mas considero necessárias. É necessário. A gente fica com muita raiva porque todos os políticos e a cúpula do funcionalismo tem muita mordomia, então parece mais uma dentro desse acúmulo", disse durante participação no UOL News.

Para defender seu ponto de vista, ela citou a quantidade de informações que um ex-presidente possui sobre o país. "Ele se torna um ativo cobiçado se ficar por aí passeando sozinho. Tem que dar mesmo a segurança e não pode deixar o cara em situação de penúria financeira. Não pode deixar à mercê de sofrer um ataque de segurança ou violência. Esse gasto com ex-presidentes é necessário", finalizou.

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