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Ao lado de Campos Neto, Tebet diz que decisões do BC interferem na política

Do UOL*, em São Paulo

27/04/2023 11h37Atualizada em 27/04/2023 12h07

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que o Banco Central também interfere na política, especialmente por meio do tom dos "comunicados e atas" publicados para explicar as decisões sobre os juros.

O que disse Tebet?

A ministra fez a declaração ao lado do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Ambos, junto com o ministro da Fazenda Fernando Haddad e outros convidados, participam de um debate sobre juros, inflação e crescimento no Senado.

Tebet defendeu a autonomia do BC, mas ponderou nível "técnico" da instituição: "A autonomia do Banco Central é importante para a estabilidade econômica, portanto o governo não interfere nas decisões técnicas. Mas o BC não pode considerar que suas ações são apenas técnicas, são técnicas mas também são decisões que interferem na política, especialmente seus comunicados e suas atas."

Sobre as divergências públicas entre governo federal e Banco Central, Tebet afirmou que é importante que cada entidade o faça "cada um na sua visão". A ministra defendeu mais enfaticamente a necessidade de crescimento do Brasil, discurso similar ao do presidente Lula.

"Banco Central tem preocupação com inclusão"

Em seguida, Roberto Campos Neto voltou a defender que o BC toma suas decisões de política monetária de forma técnica e afirmou que o trabalho de aperto feito pela autarquia é necessário para controlar a inflação.

Ele chegou a responder Tebet sobre os impactos na política: "Não é a pessoa Roberto Campos Neto, é o Banco Central que tem muita preocupação com inclusão social. O BC faz um trabalho técnico, com horizonte de atuação técnica que difere muitas vezes do círculo político, mas por isso que foi dada a autonomia".

Haddad focou na defesa da reforma tributária

O ministro da Fazenda evitou entrar em atritos relativos a juros, Banco Central e posição do governo Lula, e falou mais sobre a necessidade da reforma tributária.

O ministro afirmou que os conflitos distributivos do Brasil são "severos" e só se equacionam com crescimento econômico.

Haddad voltou a destacar "vitória importante" com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que deu ganho parcial ao governo em julgamento de conjunto de ações sobre descontos do ICMS, que, pelas contas da equipe econômica, têm impacto potencial de até R$ 90 bilhões por ano para os cofres federais.

*Com informações da Reuters