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CSN vê impacto reduzido de tarifas dos EUA, cobra posicionamento do Brasil

14/03/2018 12h49

SÃO PAULO (Reuters) - A CSN avalia como irrelevante para a empresa o impacto das tarifas de importação dos Estados Unidos sobre aço e alumínio, mas acredita que o Brasil precisa se posicionar para enfrentar um eventual crescimento de importações no país pela China.

O presidente-executivo do grupo siderúrgico, Benjamin Steinbruch, afirmou que a companhia exportou para os EUA no ano passado cerca de 350 mil toneladas de aço, o que representou 6 por cento da produção da companhia.

"Essas 350 mil toneladas já direcionamos para o mercado interno por causa da recuperação da economia (do Brasil)", disse Steinbruch nesta terça-feira, em um raro encontro presencial dos executivos da companhia com analistas e jornalistas do setor.

O executivo comentou em termos gerais que o Brasil exportou no ano passado para os EUA 5 milhões de toneladas de aço, das quais 4 milhões foram produtos semiacabados, que precisam ser laminados em usinas locais antes de serem utilizados em produtos como carros e eletrodomésticos.

"A maioria (das 4 milhões de toneladas) foi placa despachada pela CSA (Ternium) e Cosipa (Usiminas Cubatão). Os EUA precisam continuar comprando placa. O 1 milhão de toneladas que sobra são 500 mil de (aços) longos e 500 mil de planos. Dos planos, 350 mil são CSN e 150 mil Usiminas e outras empresas", disse Steinbruch. "Duvido que os EUA façam qualquer coisa contra os semiacabados... Não vejo como os EUA possam sobreviver sem importar placa. O problema é 'autosanável'."

Segundo ele, "o problema é a importação. (O Brasil) importou 1,5 milhão de toneladas de produtos acabados (de aço no ano passado). Esse problema é muito maior que o problema da exportação", disse.

"Por isso o Brasil precisa tomar um posicionamento... Temos antidumping sobre a China, mas não aplicamos (as tarifas), mas com essa questão dos EUA cria-se oportunidade de rever isso", afirmou o presidente da CSN.

"Duvido que governo (brasileiro) não faça nada, mas levantaram a bola para o governo marcar gol aqui no Brasil em um ano de eleição. Se vai ter competência para marcar o gol, estamos esperando", acrescentou Steinbruch.

Paralelamente, durante o Fórum Econômico Mundial realizado a alguns quilômetros da sede da CSN em São Paulo, o presidente Michel Temer, afirmou que a taxação de 25 por cento decidida pelos EUA sobre as importações de aço é excessiva e que as sobretaxas preocupam muito o Brasil. Com isso, disse Temer, se não houver uma solução amigável, o Brasil deverá formular uma representação na Organização Mundial do Comércio (OMC) em conjunto com outros países.

Em janeiro, o conselho de ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu não aplicar imediatamente medidas antidumping, como sobretaxas contra a importação de aços laminados a quente de quatro grupos siderúrgicos da China e um da Rússia. Os quatro grupos chineses incluem as maiores siderúrgicas da China, como a Baosteel.

Steinbruch afirmou que a CSN tem decisão tomada para dobrar a capacidade de sua usina nos EUA, no Estado de Indiana, para cerca de 800 mil toneladas por ano. O investimento previsto seria de 80 milhões de dólares.

Porém, ao mesmo tempo a companhia também avalia eventual venda do ativo, em uma decisão que pode ser tomada neste ano, disse o presidente da CSN.

"O investimento para dobrar é muito barato", disse Steinbruch. "Já está tudo construído, é só comprar os equipamentos de galvanização... Mas se eu já ia vender caro, agora tenho que vender mais caro ainda", brincou o presidente da CSN fazendo referência ao momento positivo da indústria dos EUA e valorização dos ativos no país.

Steinbruch comentou ainda que se a CSN fizer qualquer venda de ativo os recursos irão para redução de débitos da companhia, que até setembro tinha uma relação dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 5,5 vezes ante 7,4 vezes um ano antes.

Questionado sobre eventual pressão de bancos estatais credores, Banco do Brasil e Caixa, para que a CSN venda a participação que detém na Usiminas, uma obrigação imposta há anos pelo Cade, Steinbruch disse que não existe pressão do BB ou da Caixa. Ele afirmou que a prioridade para a CSN é a venda de ações preferenciais da rival já que nas ordinárias a CSN pretende pedir uma flexibilização da ordem de venda do Cade em 30 a 60 dias.

"A prioridade é PN e não ON, queremos flexibilizar o acordo, vamos iniciar em 30 a 60 dias a discussão com o Cade", disse Steinbruch, sem precisar quando ou como a CSN poderá se desfazer das ações preferenciais.

MERCADO BRASILEIRO

O diretor comercial da CSN, Luis Fernando Martinez, afirmou que a demanda por aço no Brasil este ano deve crescer 1 milhão de toneladas e que as vendas da companhia deverão subir cerca de 8 por cento.

Segundo o executivo, diante das reiteradas reduções de capacidade de produção de aço da China, os preços da liga têm se mantido estáveis. Com isso, e considerando o cenário de crescimento da demanda interna brasileira, a CSN vê chance de elevar os preços de aço no mercado interno em junho.

"Não acredito que esse preço deverá cair para um patamar menor do que já está... No (laminado a) quente e no frio poderemos aumentar o preço em junho. Onde fica mais difícil é no material galvanizado, que os chineses praticam preços menores", disse Martinez.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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