Afastamento de executivos da Hypera atende interesses da empresa e de acionistas, diz novo CEO
SÃO PAULO (Reuters) - O novo presidente da Hypera, Breno Oliveira, disse nesta sexta-feira que a decisão de afastar executivos anunciada na véspera visa o interesse da empresa e dos acionistas e que não houve mudança na composição acionária da companhia.
Na quinta-feira, a Hypera, antes conhecida como Hypermarcas, anunciou o afastamento do seu principal acionista João Alves de Queiroz Filho da presidência do conselho de administração e de Cláudio Bergamo da presidência-executiva da empresa, em meio a investigações envolvendo a delação premiada de um ex-executivo da farmacêutica.
Em teleconferência com analistas após a divulgação dos resultados da empresa referentes ao primeiro trimestre, Oliveira reiterou ainda que a Hypera não está negociando qualquer acordo de leniência.
A Hypera registrou lucro líquido das operações continuadas de 302,2 milhões de reais no primeiro trimestre, alta de 41,6 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo a combinação da expansão do resultado operacional com a redução da taxa efetiva de imposto em decorrência da declaração de juros sobre capital próprio.
O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) das operações continuadas somou 362,7 milhões de reais nos três meses encerrados em março, aumento de 24,8 por cento sobre o mesmo intervalo de 2017. Já a margem Ebitda foi de 39,1 por cento, 3,4 pontos percentuais acima da verificada um ano antes.
Por volta das 13:30, as ações da Hypera subiam 0,7 por cento, enquanto o Ibovespa tinha variação positiva de 0,2 por cento.
"Com esses resultados estamos caminhando para nosso guidance de lucro e Ebitda que foram estabelecidos para o ano", disse Oliveira. "Esperamos continuar entregando nosso resultado de forma consistente nesse novo período que se inicia para a companhia."
Em fevereiro, a Hypera informou que espera lucro líquido de operações continuadas de cerca de 1,1 bilhão de reais este ano, praticamente estável sobre 2017. A expectativa para Ebitda na mesma comparação é de ao redor de 1,35 bilhão de reais ante 1,23 bilhão no ano passado.
Em relação à capacidade de produção, Oliveira afirmou que a tendência é que a empresa não tenha mais gargalos para atender a demanda este ano.
Oliveira disse ainda que a empresa está revendo o plano anunciado anteriormente, de investir 500 milhões de reais na construção de nova fábrica em Goiás, e que talvez adie ou até reduza.
Ele acrescentou, no entanto, que não há mudança no plano de vender o depósito de distribuição em Goiânia, que deve compensar em parte os recursos investidos na nova fábrica, levantando entre 200 milhões e 250 milhões de reais.
Sem detalhar números, o executivo disse que o segundo trimestre deve ter "bastante lançamento", principalmente nos segmentos de 'consumer health' (medicamentos isentos de prescrição, produtos nutricionais e suplementos vitamínicos) e de produtos de prescrição.
O impacto da recente alta do dólar sobre os custos da empresa foi minimizado pelo executivo. Segundo ele, cerca de 25 por cento custo é indexado ao dólar e empresa faz hedge te todo valor comprometido em dólar.
(Por Flavia Bohone)
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