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Médium João de Deus passa noite preso após se entregar em Goiás

16/12/2018 18h35

(Reuters) - O médium João de Deus, acusado de abuso sexual por mais de 300 mulheres, passou a primeira noite preso após se entregar à polícia no domingo, um dia depois de ser oficialmente considerado foragido.

João de Deus, cujo nome é João Teixeira de Faria, se entregou às autoridades em Abadiânia (GO) no final da tarde, de acordo com a força-tarefa do Ministério Público que atua no caso.

Representantes do médium não puderam ser imediatamente contactados para comentar.

"Os promotores e promotoras informam que os trabalhos da força-tarefa seguem normalmente nos próximos dias, no intuito de continuar realizando as oitivas das vítimas e produzir as denúncias a serem oferecidas", disse o MP em nota.

As primeiras denúncias contra o médium, que ficou conhecido no Brasil e no exterior pelos atendimentos mediúnicos e cirurgias espirituais que realiza há mais de 40 anos, vieram à tona há alguns dias em um programa da TV Globo.

Na sexta-feira, um juiz emitiu um mandado de prisão para João de Deus dando até as 14h no sábado para se entregar. Depois que ele deixou de se reportar às autoridades, o médium foi oficialmente considerado foragido.

João de Deus negou as acusações na quinta-feira quando visitou seu centro e falou com uma multidão de seguidores. Seu advogado disse no sábado que ele se entregaria e entraria com um pedido de habeas corpus.

Um dos promotores que integra a força-tarefa disse que o caso tem potencial para ser o maior escândalo sexual do país.

"Caso os relatos se confirmem, eu não tenho dúvidas de que esse seria o maior escândalo que já se teve notícia no Brasil... tenho absoluta certeza", disse à Reuters o promotor Luciano Meireles na sexta-feira, por telefone.

As acusações das mulheres variam desde toques inadequados em seus corpos até a consumação de relações sexuais e de obrigá-las a praticar sexo oral enquanto ele supostamente estava incorporando entidades espirituais, segundo vítimas entrevistadas pela imprensa.

(Por Bruno Federowski)