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Maia pode não conseguir entregar reforma da Previdência, diz adversário Fábio Ramalho

13.jul.2016 - Deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) discursa no plenário da Câmara - ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO
13.jul.2016 - Deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) discursa no plenário da Câmara Imagem: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDO

Por Maria Carolina Marcello

28/01/2019 18h37

BRASÍLIA (Reuters) - O atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tenta a reeleição, pode não conseguir entregar a reforma da Previdência, afirmou seu principal concorrente na disputa, o deputado e vice-presidente da Casa, Fábio Ramalho (MDB-MG), que se coloca como o candidato que viabilizaria a aprovação da proposta.

Prioridade da área econômica do governo, a reforma da Previdência pode ser diretamente influenciada pela eleição da Mesa da Câmara --seja pelo resultado da disputa, seja pela forma como ela se der.

"Ele pode não conseguir entregar", disse Ramalho à agência de notícias Reuters, acrescentando ter como trunfos a boa relação com seus pares e o fato de conhecer a Casa como a palma da mão.

"Tenho certeza de que vou entregar as reformas necessárias para o Brasil, através do diálogo e de uma construção do Parlamento", afirmou o principal concorrente de Maia, favorito na disputa.

O deputado lembra que é necessário um comando capaz de modular as diversas forças da Câmara --que tem entre as suas maiores bancadas a do partido do presidente Jair Bolsonaro, mas também a do PT, na oposição-- e se coloca como a figura capaz de fazer isso.

"Você não faz reforma com uma Casa dividida, tem que falar com muita gente. E nisso eu sou craque", disse.

Defensor de um esforço de comunicação para a conscientização sobre a necessidade da reforma e da abertura de conversas no Parlamento sobre o tema --e não da apresentação de um "pacote fechado"--, Ramalho não descarta "pinçar" sugestões que não tenham partido do governo.

Sobre a proposta de a reforma ser acompanhada de um regime de capitalização, disse que ainda precisaria "estudar" o tema e ver os reais impactos, inclusive entre as instituições financeiras.

Segundo turno

Ramalho, que fez questão de deixar clara a amizade com Bolsonaro e lembrou, inclusive, de tê-lo visitado no hospital após o atentado que sofreu quando ainda era candidato à Presidência da República, nega que o Executivo esteja interferindo na disputa.

Sob o argumento de que Maia tem o apoio do PSL, mas não do governo, lembra que o presidente, após 28 anos como deputado federal, conhece o funcionamento da Casa e sabe que qualquer passo em falso poderia atrapalhar a aprovação da principal medida de sua equipe econômica.

"Ele está muito focado na reforma. Ele sabe que uma interferência do Executivo no Parlamento não é benéfica para a aprovação de qualquer reforma", disse o concorrente à presidência da Câmara do MDB.

Ramalho, que inicia em fevereiro seu quarto mandato de deputado federal, avalia que, para ganhar a presidência da Câmara, Maia teria que liquidar a fatura já no primeiro turno. O mineiro, no entanto, garante, haverá segundo turno na disputa. Para se eleger no primeiro turno, o candidato tem de reunir o voto de pelo menos 257 dos 513 deputados.

Ao relatar já ter conversado com mais de 150 deputados, o deputado mineiro, que diz contar com um mapa de votos na cabeça, calcula ter chances reais de vencer no segundo turno.

"Ele não tem 200 votos", estima. "E no segundo turno, se juntam todos que não querem ele. Eu não tenho ninguém contra mim."

Brumadinho

Sobre o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), que já contabiliza 60 mortos e pode ter número de vítimas fatais ainda maior, já que são quase 300 desaparecidos, o deputado cobrou punição rígida aos responsáveis.

"Primeiramente a gente tem que agradecer o Corpo de Bombeiros. Depois, a gente tem que cobrar punição, mas uma punição que não seja apenas financeira, para que isso não ocorra novamente", afirmou.

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