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CORREÇÃO (OFICIAL)-Ibovespa fecha em queda com ruídos sobre meta de inflação; BB sobe

14/02/2023 18h48

(Corrige 10º parágrafo de matéria publicada em 14 de janeiro para retirar nome de empresa informado incorretamente pela assessoria de imprensa)

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, em meio a um desconforto persistente com o risco de aumento das metas de inflação no país, enquanto Banco do Brasil destoou e avançou mais de 2% na esteira de resultado robusto no quarto trimestre e previsões positivas.

Os investidores ainda repercutiram dados de inflação nos Estados Unidos, que se não endossaram apostas de aumentos mais agressivos nos juros norte-americanos, tampouco colaboraram com apostas de um ciclo menos restritivo, uma vez que mostraram os preços ao consumidor ainda em patamar elevado.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,91%, a 107.848,81 pontos. O volume financeiro somou 24 bilhões de reais.

Em meio a especulações recentes sobre mudanças na meta de inflação, ocuparam as atenções no começo do pregão declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, na véspera, de que o BC não propôs ao governo um aumento da meta de inflação, mas tem sugestões de aprimoramento do mecanismo.

As declarações foram feitas em um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atacado a atuação do BC, bem como o nível da Selic. Campos Neto disse no programa Roda Viva, da TV Cultura, entender a pressa de Lula, mas que é difícil ter bem-estar social com inflação descontrolada.

Na visão de Victor Hugo Israel, especialista em renda variável da Blue3, Campos Neto adotou um tom "apaziguador", o que ele considerou positivo, principalmente porque se trata do primeiro presidente do BC após a aprovação da autonomia da autoridade monetária e que está transitando entre dois governos.

Nesta terça-feira, Campos Neto afirmou que o sistema de metas para a inflação funciona bem e não é hora de fazer experimentos. E fez um aceno ao governo, afirmando que é justo o Executivo questionar o patamar dos juros e que é preciso haver um pouco mais de "boa vontade" com a nova gestão.

Mas as declarações não foram suficientes para mais uma sessão positiva na bolsa paulista, uma vez que, conforme citou o especialista da Blue3, há outros elementos na mesa, entre eles a reunião da Conselho Monetário Nacional (CMN) na quinta-feira e dúvidas sobre o que será de fato feito e o que será narrativa.

A primeira reunião do CMN no governo de Lula ocorre no dia 16 e entrou no foco das atenções em meio a ruídos envolvendo a meta para a inflação - que é definida pelo colegiado, formado pelos ministro da Fazenda e Planejamento e pelo presidente do Banco Central.

De acordo com Nayara Mota, economista comportamental, investidores temem que eventual flexibilização da meta da inflação a fim reduzir a taxa de juros tenha como reflexos mudanças também no comando do BC.

No final da tarde, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a meta de inflação não está na pauta do CMN.

No exterior, o índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos aumentou 0,5% no mês passado, após alta de 0,1% em dezembro, em linha com as expectativas.

Para William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, os números não afetaram fortemente as expectativas de juros no curtíssimo prazo. Particularmente, ele disse que achou o dado de ruim, pois mostra mais inflação, mas ponderou que alguns dados recentes já vinham balizando as expectativas.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou quase estável.

DESTAQUES

- BANCO DO BRASIL ON avançou 2,34%, a 41,55 reais, após reportar na véspera que lucro recorrente de outubro a dezembro de 9 bilhões de reais, acima das expectativas. O BB também projetou lucro ajustado de 33 bilhões a 37 bilhões de reais para 2023. Analistas avaliaram positivamente o balanço e o guidance. O JPMorgan elevou a recomendação das ações para "overweight", bem como o preço-alvo dos papéis a 56 reais. Na máxima, as ações chegaram a 41,55 reais. No setor, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,24% e BRADESCO PN caiu 0,91%.

- CARREFOUR BRASIL ON subiu 2,92%, a 14,45 reais, mesmo após reportar queda de 28,2% no lucro líquido ajustado do quarto trimestre frente a um ano antes, pressionado pelos custos das conversões de lojas adquiridas do BIG e das maiores despesas financeiras, enquanto as vendas líquidas avançaram 36,3%. Até a véspera, as ações acumulavam queda de 14,65% em fevereiro. No setor, GPA valorizou-se 0,55%. A varejista controlada pelo francês Casino divulga seu balanço no dia 27 de fevereiro, após o fechamento do mercado.

- RAÍZEN PN, que divulga balanço após o fechamento, perdeu -7,45%, a 2,98 reais. No setor, SÃO MARTINHO ON recuou 4,76%, a 26,61 reais, após queda no lucro líquido trimestral, para 429,7 milhões de reais. A companhia de açúcar e etanol também divulgou Ebitda ajustado de 774,9 milhões de reais para o terceiro trimestre do ano-safra 2022-2023, declínio de 13,2% ano a ano, com margem Ebitda ajustado caindo de 58,3% a 50,5%. O BTG Pactual avaliou que os resultados do período foram fracos, mas não particularmente surpreendentes.

- B3 ON fechou em baixa de 4,03%, a 11,44 reais, entre os maiores pesos negativos do Ibovespa. A empresa de infraestrutura de mercado financeira reporta seu resultado do quarto trimestre na quarta-feira, após o fechamento do mercado.

- ELETROBRAS ON recuou 3,68%, a 35,29 reais, após a Advocacia-Geral da União (AGU) iniciar estudo do que pode ser feito juridicamente para questionar pontos de privatização da elétrica, segundo informou a Agência Brasil. A ação da AGU atente a pedido de Lula, que afirmou recentemente que o processo de privatização teria sido "errático" e "quase que uma bandidagem". Neste ano, a ação acumula queda de mais de 16%.

- PETROBRAS PN fechou com variação negativa de 0,37%, a 26,7 reais, em mais uma sessão de queda dos preços do petróleo no exterior, com o Brent recuando 1,19%, a 85,58 dólares o barril. No setor, PRIO ON caiu 2,81% e 3R PETROLEUM ON perdeu 4,94%.

- VALE ON subiu 0,45%, a 87,10 reais, favorecida pela alta dos contratos futuros de minério de ferro em Dalian, na China. A mineradora brasileira também comprou de volta uma participação de 30% na Vale Oman detida pela OQ, empresa estatal de energia de Omã, informou a agência de notícias estatal daquele país. A companhia também planeja divulgar seus resultados trimestrais em 16 de fevereiro.

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(Edição Aluísio Alves)