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PF faz operação para investigar organização ligada à compra de ouro ilegal em Roraima

14/02/2023 10h40

Por Fernando Cardoso

(Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a operação Avis Aurea, que busca "investigar uma organização criminosa, com células em pelo menos três Estados, que estaria envolvida com a compra de ouro ilícito do Estado de Roraima".

De acordo com a PF, estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos Estados de Roraima, São Paulo e Goiás. Empresários, advogados e um servidor público estão entre os investigados. A corporação não divulgou os nomes dos alvos dos mandados.

A investigação teve início após a Polícia Rodoviária Federal apreender mais de 4 milhões de reais em espécie em um veículo na cidade de Cáceres, no Mato Grosso. A PF disse que o valor seria transportado para a aquisição de ouro ilegal em Boa Vista, em Roraima.

"Parte da organização estaria baseada no Estado e receberia valores de pessoas físicas e jurídicas de outros locais com o fim de adquirir ouro de garimpos ilegais. O dinheiro seria movimentado, principalmente, por via terrestre, saindo das regiões Sudeste e Centro-Oeste com destino à cidade de Boa Vista", disse a PF em comunicado.

A PF informou que a organização teria movimentado pelo menos 422 milhões de reais em cinco anos. Uma das empresas envolvidas já foi alvo de uma ação que apreendeu 111 kg de ouro em um avião em Goiânia.

Na semana passada, a PF já havia deflagrado a operação Libertação, que busca apreender ou destruir infraestrutura utilizada na prática do garimpo ilegal e reunir provas da atividade criminosa no Território Yanomami, também em Roraima.

As ações recentes da PF em relação ao garimpo ilegal ocorrem após a invasão de mais de 20.000 garimpeiros à reserva indígena nos últimos quatro anos, trazendo doenças, abuso sexual e violência armada que aterrorizaram os yanomami, estimados em cerca de 28.000, e levaram à uma crise humanitária e sanitária entre os indígenas, provocando desnutrição grave e mortes.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou emergência médica na terra yanomami e disse que terá tolerância zero para o garimpo em terras indígenas, protegidas pela Constituição.

O antecessor de Lula, Jair Bolsonaro, defendeu a mineração em terras indígenas protegidas, e seu governo fez vista grossa para um novo aumento nas invasões de reservas por garimpeiros e madeireiros ilegais, além de reduzir o financiamento da fiscalização contra crimes ambientais.