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Taxas dos contratos futuros de juros têm baixa firme após IPCA mostrar desaceleração

11/04/2023 17h26

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a terça-feira em queda firme no Brasil, com investidores ajustando posições na curva a termo após os dados de inflação de março demonstrarem desaceleração de preços, o que eleva a perspectiva de antecipação do início dos cortes da taxa básica Selic.

Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,71% em março, depois de ter avançado 0,84% em fevereiro. Isso levou o indicador a acumular nos 12 meses até março taxa de 4,65%, contra 5,60% de antes. Foi a primeira vez que o índice em 12 meses ficou abaixo de 5% desde janeiro de 2021.

Os números dispararam um movimento de queda nas taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) em toda a curva a termo, sendo que os vencimentos a partir de janeiro de 2025 passaram por cortes superiores a 20 pontos-base.

“Minha expectativa, já há algum tempo, era de que o Banco Central ia começar a lograr uma inflação mais baixa por conta da política monetária. Eu entendo a ansiedade, mas a política monetária é assim: leva 6 ou 9 meses para funcionar. E agora está funcionando”, comentou o economista-chefe da Órama, Alexandre Espirito Santo, em relação aos efeitos defasados da Selic sobre a inflação.

“Se pegarmos o vencimento para janeiro de 2026, ele bateu nesta terça-feira a mínima do ano e está voltando para níveis de outubro do ano passado, perto da eleição. Isso significa que o mercado está começando a comprar a ideia de que, com o novo arcabouço fiscal e a inflação desacelerando, há espaço para o BC iniciar o processo de corte de juros”, acrescentou Espirito Santo à Reuters. Ele espera para junho o início dos cortes da Selic.

Para Gustavo Menezes, gestor da área de macro da AZ Quest, a apresentação do novo arcabouço fiscal pelo governo, há algumas semanas, retirou do cenário a possibilidade de explosão do endividamento no Brasil. Com isso, abriu-se a perspectiva de que o BC possa começar a cortar juros.

Com os dados de inflação divulgados nesta terça-feira, mais favoráveis, os investidores ajustaram as posições quanto ao nível da Selic.

“A partir do momento em que o marco fiscal é apresentado, sabe-se que o próximo movimento do BC é de queda. Resta saber quando vai começar”, avaliou Menezes. “O número de inflação desta terça-feira ajudou.”

No fim da tarde, a taxa do DI para outubro de 2023 estava em 13,435%, ante 13,5% do ajuste anterior. Já a taxa para janeiro de 2024 estava em 13,125%, ante 13,229% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 11,765%, ante 11,996%. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,735%, ante 11,982% do ajuste anterior.

Perto do fechamento, a curva a termo precificava apenas 6% de chances de o BC reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual no encontro de política monetária de maio e 94% de probabilidade de ele manter a taxa em 13,75% ao ano.

Apesar da perspectiva majoritária de manutenção da Selic em maio, o mercado passou a enxergar mais chances de corte de juros já em junho.

Em meio aos dados positivos do IPCA, o mercado externo ficou em segundo plano nesta terça-feira no Brasil. No fim desta tarde, os rendimentos dos Treasuries se mantinham em alta, com investidores à espera dos dados de inflação dos EUA, que saem na quarta-feira.

Às 17:14 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1,10 ponto-base, a 3,4262%.

(Por Fabricio de Castro)