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"Hub" de renováveis e hidrogênio da SPIC e Prumo no Açu deve envolver aportes de bilhões

14/04/2023 13h31

Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) - A elétrica chinesa SPIC e a empresa de logística Prumo vão estudar a instalação de um "hub" de energias renováveis e hidrogênio no Porto de Açu (RJ), em um projeto com perspectiva de investimentos bilionários, disseram executivos das empresas à Reuters.

O governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira, durante visita oficial à China, a assinatura de um memorando de entendimentos entre as duas empresas para avaliar a viabilidade financeira e técnica de projetos no Açu envolvendo energia eólica offshore, solar e hidrogênios azul (produzido a partir de gás e com posterior captura de carbono) e verde (produzido com fontes renováveis).

Segundo Rogério Zampronha, CEO da Prumo, que controla o Porto de Açu, a ideia é que esse empreendimento possa atender indústrias que negociam instalação no local e buscam reduzir suas emissões de carbono.

"O foco do Porto de Açu é gerar produção de hidrogênio para consumo no próprio porto na atividade industrial... Temos acordos assinados, aguardando anúncio, para plantas de fertilizantes nitrogenados usando amônia verde, planta de HBI (briquete para aço "verde")... e planta de combustíveis", afirmou, em entrevista à Reuters.

O executivo preferiu não comentar se Prumo pretende entrar como investidora no projeto, cujo valor total do investimento não foi detalhado.

Ele disse ver um interesse muito grande em negócios de descarbonização em setores como agronegócio e siderurgia, nos quais a redução das emissões na cadeia de valor virou uma "obsessão".

"Isso confere uma competitividade brutal, porque não há o custo de se transformar (o hidrogênio) em amônia (para transporte) para depois reconverter, e ainda o custo logístico... A indústria mais competitiva no Brasil, quando se trata de baixo carbono, vai ser aquela instalada no porto."

O tamanho das plantas de geração de energia e hidrogênio no Açu, assim como o cronograma de implantação, serão definidos após esses estudos, mas a expectativa é de investimentos bilionários.

"Estamos falando de alguns dos maiores projetos de investimento do Brasil, você não faz uma eólica offshore pequena porque o custo de estrutura é enorme", comentou Zampronha, apontando que um projeto offshore de 1 gigawatt (GW) custa acima de 2 bilhões de dólares para ser implantado.

A Prumo, que tem como acionistas a gestora a EIG Partners e o fundo Mubadala, já é sócia da SPIC no GNA, maior complexo de geração termelétrica da América Latina.

Para a gigante chinesa, o acordo abre caminho para sua potencial entrada em eólicas offshore no Brasil, tecnologia que a companhia é uma das líderes em projetos no mundo, apontou a CEO da SPIC Brasil, Adriana Waltrick.

"Até o fim desta década, provavelmente a implementação offshore será uma nova fronteira setorial que avançaremos", disse a executiva, destacando que o Brasil é um dos principais mercados estratégicos para a SPIC Global, sendo o país onde a companhia detém seu maior parque gerador for a da China.

Atualmente, a capacidade instalada da SPIC no Brasil soma cerca de 3 GW, incluindo a hidrelétrica São Simão, dois parques eólicos, duas usinas de energia solar e sua participação na GNA.

A companhia de energia também ambiciona ser protagonista em hidrogênio verde no mercado brasileiro e pretende usar sua experiência na China para despontar localmente.

Segundo Waltrick, a SPIC tem empresas específicas para estudar o desenvolvimento de hidrogênio, tanto na ponta da produção quanto do mercado de suprimento e demanda em larga escala.

"A companhia já faz estudos de viabilidade e aplica o uso do hidrogênio verde em alguns cases de sucesso. Em 2022, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, a SPIC forneceu 150 ônibus a hidrogênio", exemplificou a executiva.

(Por Letícia Fucuchima)