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Nova cédula de 1 milhão de bolívares venezuelanos vale menos que 1 dólar

Novas notas de 200 mil, 500 mil e 1 milhão de bolívares começam a circular na Venezuela - Divulgação/Banco Central da Venezuela
Novas notas de 200 mil, 500 mil e 1 milhão de bolívares começam a circular na Venezuela Imagem: Divulgação/Banco Central da Venezuela

08/03/2021 10h28

A partir de hoje, as cédulas de 200 mil, 500 mil e 1 milhão de bolívares venezuelanos começarão gradativamente a circular. Essas três novas notas não somam o equivalente a US$ 1 pelo câmbio oficial. A de um milhão, por exemplo, vale US$ 0,50.

Um quilo de tomate, oito pãezinhos, um refrigerante de 250 ml ou uma barra de sabão de baixa qualidade podem custar cerca de 1 milhão de bolívares em uma economia marcada pela inflação, que fechou 2020 em quase 3.000%, passando assim pelo quarto ano de hiperinflação.

"O problema em um ciclo hiperinflacionário é que a velocidade com que o Banco Central atualiza o cone monetário é muito mais lenta", disse o economista Asdrúbal Oliveros.

"O Banco Central [da Venezuela] acaba de lançar uma cédula que terá o valor mais alto que não chega a US$ 0,65. Mesmo com essas novas cédulas é possível que não se consiga realmente otimizar o sistema de pagamentos", observa.

Bolívar substituído pelo dólar no país

O dinheiro em bolívares também é muito escasso e os usuários fazem longas filas nos bancos para acessar, no máximo, 400 mil bolívares, o limite para o saque.

O bolívar acabou sendo substituído pelo dólar, que se tornou a moeda de fato na Venezuela.

É comum que os preços de qualquer comércio venezuelano sejam transformados em dólares e os pagamentos sejam feitos em moeda estrangeira. O pagamento em moeda local normalmente é feito por cartão de débito ou transferência bancária.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tem promovido a "digitalização total" dos pagamentos na Venezuela, incluindo o transporte público, atualmente o único setor onde prevalece o bolívar em dinheiro.

"Para isso, eles precisam ter um sistema tecnológico e logístico otimizado com o transporte que não têm, por isso retiram essas passagens para tentar amenizar um pouco o problema", disse Oliveros.

O cone monetário foi estendido pela última vez em junho de 2019.

(Com informações da AFP)