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Ibovespa sobe com ajuda da Vale; dólar perde fôlego e cai pouco

Depois do chacoalhão de ontem, a bolsa de valores brasileira recupera um pouco do fôlego nesta quarta-feira impulsionada pela Vale, que acompanha a alta do minério de ferro, e pela expectativa de que a reforma trabalhista tenha forças para avançar.


A mineradora, que possui peso de 8,42% no Ibovespa, lidera a alta da Bovespa após o ferro fechar em alta de 0,7%, a US$ 56,82 a tonelada, na China.


Romero Jucá (PMDB-RR) leu seu relatóriosobre as mudanças nas leis que regem as relações de trabalhona Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A votação da proposta está prevista para quarta-feira que vem, e, depois da derrota na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da casa ontem, o governo engrossou a voz para dizer que tem apoio suficiente para vencer essa etapa e também para passar a proposta no plenário.


O principal índice acionário local subia 0,22%, para 60.903 pontos, às 13h15. O dólar comercial recuava 0,03%, vendido a R$ 3,3310.


A ação preferencial da Vale ganhava 3,03%, a R$ 24,79, e a ordinária subia 2,99%, para R$ 26,48


A Petrobras, que chegou a exibir forte alta seguindo a recuperação do petróleo, perdeu um pouco de força quando o combustível também mudou de tendência. A ação PN da gigante estatal ainda avançava 0,25%, para R$ 11,89, no final da manhã, mas a ON caía 0,54%, para R$ 12,94. O contrato do óleo tipo Brent com entrega em agosto caía 0,43%, a US$ 45,82 o barril, na bolsa de Londres.


Entre as maiores baixas, o destaque são a Estácio e a Kroton, que desabavam pelo segundo dia consecutivo com as preocupações acerca do julgamento da fusão entre as duas empresas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A Estácio caía 7,47%, para R$ 14,62, e a Kroton perdia 4,26%, a R$ 13,26.


Dólar


Já a queda do dólar perde fôlego no início da tarde desta quarta-feira, sinalizando que as incertezas políticas ainda pesam no cenário doméstico. A percepção de risco segue elevada no mercado de câmbio e especialistas comentam que a moeda dos Estados Unidos ainda pode buscar níveis mais elevados diante de preocupações com a capacidade do governo em avançar com a agenda de reformas. O sinal de alerta com o ambiente doméstico soma-se à volatilidade dos preços de petróleo, que inibem uma melhora mais firme dos ativos emergentes.


Mais cedo, enquanto a recente queda da commodity parecia dar uma trégua, o dólar recuou de forma mais clara ante o real, em linha com os pares emergentes. O movimento de queda por aqui contou também com ajustes de posições após a forte aversão desencadeada ontem pela derrota da reforma trabalhista na CAS. Agora a leitura é de que o revés não tem implicação prática significativa para a aprovação da medida em si, mas aumenta as preocupações de um cenário já envolto em incertezas.


"A rejeição na CAS não coloca um ponto final na reforma trabalhista proposta pelo governo", diz o Rabobank Brasil em comentário assinado pelo economista-chefe, Mauricio Oreng, nesta manhã. "Mas o resultado adverso se soma às (já elevadas) incertezas quanto ao apoio parlamentar para aprovação de reformas", acrescenta a instituição.


O Rabobank Brasil alerta que, mesmo diante de bons fundamentos externos brasileiros, a exemplo do "robusto" balanço de pagamento e a munição do Banco Central para atenuar momentos de volatilidade, há espaço para maior impacto das incertezas na taxa de câmbio. "Calculamos que apenas 36% da depreciação do câmbio recente deriva de fatores locais (e.g., política). Estimamos hoje um valor justo para a taxa cambial em torno de 3,45 (por dólar)", acrescenta a institui em comentário assinado pelo economista-chefe, Mauricio Oreng, nesta manhã.


O estrategista-chefe na Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, alerta que o risco de novas "surpresas" vindas de Brasília devem manter o câmbio numa trajetória de desvalorização até o fim do ano. A expectativa do especialista é de que o dólar avance até níveis próximos de R$ 3,40 no término de 2017. "Se noticiário for muito negativo, vamos ter de revisar a projeção para um dólar ainda mais alto. O risco é maior para revisão para cima do que na direção contrária", acrescenta o especialista.


Por volta das 13h15, o dólar comercial recuava 0,09%, cotado a R$ 3,3290. Na mínima, a divisa tocou R$ 3,3151. Ainda assim, segue em nível mais alto que os pouco mais de R$ 3,31 observados na terça-feira antes da votação na CAS do Senado.


O contrato futuro para julho, por sua vez, zerava a queda e subia 0,03%, a R$ 3,3360.


Juros


Os juros futuros de prazos mais longos estendem o avanço nesta quarta-feira, em meio ao aumento da percepção de risco no cenário doméstico. Apesar de alguns ajustes nesta manhã, as taxas retomam o sinal de alta, dando sequência ao movimento desencadeado ontem pela derrota da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado. O revés na comissão não parece ter impacto significativo na perspectiva de aprovação da medida em si, mas eleva a incerteza em torno da capacidade do governo em avançar com a agenda reformista.


Entre os sinais de aversão ao risco, a diferença entre o DI janeiro de 2021 e o DI janeiro de 2019 sobe a 1,11 ponto percentual, ante o nível de 1,06 ponto observado no fechamento de ontem. O conta indica que os agentes financeiros evitam se posicionar em taxas mais longas, em detrimento das mais curtas, diante da falta de previsibilidade do cenário.


O ambiente de dúvidas também se reflete no avanço das taxas com vencimentos ainda maiores. No começo da tarde, o DI janeiro/2023 subia a 10,610% ante 10,560% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2025 marcava 10,820%, ante 10,740% na mesma base de comparação.


Vale notar, contudo, que a diferença entre o DI janeiro/2019 e o DI janeiro/2018 volta a ficar positiva hoje após três sessões. ODI janeiro/2018 caía a 9,035%, ante 9,070% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recuava a 9,050%, ante 9,070% na mesma base de comparação.

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