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Vale diz que mudança nos royalties da mineração "criou um monstrengo"

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que a mudança na cobrança dos royalties da mineração, anunciada esta semana pelo governo, "criou um monstrengo". De acordo com ele, as mudanças não permitem que a empresa tenha uma estimativa sobre o impacto do aumento de custos, uma vez que o desenho da nova cobrança não permite à companhia projetar qual será o imposto pago ao fim de um determinado período.


"Ficamos bastante chateados com esse aumento de custos. Vem em uma hora ruim e de repente isso é aumento de custos sem benefícios do outro lado", disse Schvartsman durante teleconferência com jornalistas sobre os resultados do segundo trimestre. "Não dá para fazer estimativa do impacto porque não sei qual o imposto. Não tem como fazer. Criou-se um monstrengo", acrescentou.


As mudanças anunciadas pelo governo na cobrança de royalties incluem novidades, como alíquota que vai variar de acordo com o preço do minério nos mercados internacionais. Cotações acima de US$ 100 para o minério de ferro, principal produto da Vale, levariam a uma alíquota para o máximo de 4%. Hoje, a alíquota é fixa em 2%. Com as novas regras, haverá um sistema de bandas de acordo com os preços, até um teto de 4%.


Schvartsman diz que a pior parte, no entanto, não é a alíquota variável, mas a insegurança jurídica que pode ocorrer devido ao aumento das bases de cálculos. O executivo cita a cobrança prevista sobre o valor do frete e sobre a pelotização.


"Em nenhum lugar do mundo a pelotização é considerada minério. Pelotização é sujeita a IPI, o que prova que é produto industrializado. A diferença entre pelotizadora e siderurgia é nenhuma", afirma Schvartsman.


O presidente da Vale, que participou hoje da primeira divulgação de resultado trimestral desde que assumiu o comando da mineradora no lugar de Murilo Ferreira, reiterou aos jornalistas o que já havia dito a analistas de mercado mais cedo sobre as operações de níquel da companhia: elas terão que ser autossustentáveis.


"O níquel foi operado nos últimos anos pela Vale com expectativa de recursos lá na frente. A Vale investe continuamente sem pestanejar na expectativa de que teremos belo futuro quando, e se, tiver preço maior. Agora dizemos para parar de sonhar. Vamos fazer do negócio [de níquel] algo rentável e viável dentro do que temos", disse.


O presidente da mineradora frisou que, hoje, o cobre é o "extremo oposto", pois é uma commodity que vive grande escassez, devido à exaustão das minas e à forte demanda, devido à necessidade de baterias e dos investimentos em carros elétricos.


"Tudo que conseguimos fazer [no cobre] passa a ser extremamente rentável. Tudo o que não queremos fazer no níquel, queremos fazer no cobre", ponderou o executivo.


Questionado sobre o diagnóstico da companhia - no balanço de hoje a mineradora informou que ele deverá estar pronto em 60 dias - Schvartsman disse que, antes de qualquer divulgação, vai apresentar o assunto ao conselho de administração da empresa.


Sobre o assunto, ele comentou apenas questões gerais, com a busca pela redução de custos, o centro de operações integras, as mudanças na área de metais básicos.


Na área de metais básicos, Schvartsman voltou a comentar a situação da Vale Nova Caledônia (VNC), que, segundo ele, "tem sido um sorvedouro de recursos e não tem trazido retorno, muito pelo contrário".


"Temos que encontrar uma maneira de equilibrar operação. Não colocaremos recursos adicionais e temos que fazer esse negócio andar com as próprias pernas pelo bem da Vale", afirmou.

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