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Queda do dólar ganha força de olho na política

A queda do dólar ganhou força no final da sessão desta quinta-feira (14). O comportamento da moeda americana sinaliza uma relativa tranquilidade dos investidores a despeito da nova denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. É bem verdade que o dia foi positivo para os emergentes, retomando a tendência de queda do dólar. Ainda assim, profissionais de mercado comentam que a cena doméstica, seja pela perspectiva eleitoral de 2018 ou sinais de recuperação econômica, já traz menos riscos.


A credibilidade das provas que a PGR deve usar contra Temer tem sido colocada em xeque nas últimas semanas, por causa de irregularidades dos delatores da JBS. No começo de agosto, a Câmara rejeitou a primeira ofensiva da PGR contra Temer, por corrupção passiva. Na ocasião, foram 263 votos contrários à continuidade do processo. Caso se confirmem as expectativas de Temer sair vitorioso desta vez, o cenário ficaria relativamente mais aberto para retomada da reforma da Previdência em outubro, como espera o governo. No entanto, o avanço da medida ainda é visto com ceticismo no mercado. A leitura é de que seria mais provável que esse ponto de ajuste de contas públicas fosse conduzido num próximo governo.


Eleições de 2018


Por ora, o cenário eleitoral de 2018 também se mostra mais favorável na perspectiva do mercado. Isso porque teria diminuído a chance de o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva ser candidato à disputa presidencial.


Segundo o sócio da Rosenberg Investimentos Marcos Mollica, há percepção de que Lula tem, hoje, menor chance de sair candidato. Como o petista seria o principal elemento de incerteza para o processo eleitoral de 2018, a perspectiva de seu nome não estar na cédula pode levar o mercado a reduzir o prêmio de risco que hoje carrega para enfrentar esse período. E isso, aos poucos, vai se concretizando. Segundo Mollica, a ausência de Lula no páreo eleitoral, se concretizada, poderá "ter um impacto importante sobre a curva longa, sobre a bolsa e também sobre o dólar".


Um dos sinais de que a moeda americana tem espaço para cair vem do mercado de derivativos. A posição vendida de investidores domésticos - equivalente à aposta na queda do dólar - já supera os níveis de meados de março, antes da divulgação das conversas entre Temer e Joesley Batista. Este foi o estopim do atual capítulo da crise política. Considerando swap cambial, DDI e dólar futuro até ontem, esses players somavam 142.344 contratos na ponta de vendas ante 125.713 contratos há cerca de 4 meses.


No fim da sessão desta quinta, o dólar comercial fechou a R$ 3,1145 (-0,75%), na mínima do dia. O câmbio doméstico mostrava, assim, o quarto melhor desempenho numa lista de 33 divisas globais, bem próximo de outros emergentes como peso mexicano, rublo russo e lira turca.


O contrato futuro para outubro, por sua vez, recuava 0,60%, a R$ 3,1225 por volta das 17h08.


O mercado de câmbio também aguarda sinalização do Banco Central sobre qual estratégia adotará para os quase US$ 10 bilhões em contratos de swap cambial que vencem no mês que vem.

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