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Juros futuros têm alta, sob efeito de fatos externos

Os juros futuros voltaram a ter uma sessão de alta firme nesta segunda-feira. O sinal vindo exterior abriu caminho para uma correção nas taxas, com efeito mais acentuado nas de longo prazo. Ainda assim, os avanços desaceleraram no fim do dia e os ativos fecharam com alguma distância em relação aos maiores níveis do dia.


O pano de fundo do movimento lá fora contou uma série de fatores. Um deles seria o contínuo ajuste à percepção de que a maioria dos dirigentes do Federal Reserve, o banco central americano, mantém a estimativa de mais uma elevação de juros neste ano, o que garante algum impulso para o dólar.


Na política internacional, há ainda o aumento da participação da extrema direita no parlamento alemão e a perda de apoio à chanceler Angela Merkel. O alerta na Europa se soma à persistente troca de farpas verbais entre Coreia do Norte e Estados Unidos. Com isso, a percepção de risco no exterior voltou a subir, como pode ser visto na alta de 12% do índice Vix de volatilidade.


As métricas no mercado juros futuros também refletiram a pressão externa. A diferença entre o DI janeiro de 2023 e o DI janeiro de 2019 renovou a máxima histórica ao registrar 2,19 pontos percentuais, alta de 0,08 ponto ante o fechamento de sexta-feira. A variação é mais acentuada desde a alta de 0,9 ponto no último dia 12 de setembro.


Apesar da realização de lucros, a percepção dos investidores é que as taxas continuam a se beneficiar das expectativas de inflação cada vez mais baixas. A pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, confirma que as condições para uma queda adicional da Selic e para a estabilização da taxa em níveis baixos por um período prolongado estão colocadas. Para o IPCA, houve uma rodada importante de queda: a mediana para 2017 cedeu de 3,08% para 2,97% e, para 2018, foi ajustada de 4,12% para 4,08%.


"O Relatório Trimestral de Inflação (RTI) deixou bem claro que as expectativas de inflação estão ancoradas, por alguns anos", diz o operador de uma corretora paulista. "Por isso, só algo muito fora da curva para movimentar de novo as taxas de curto prazo", acrescenta.


O mercado de juros futuros precifica que a Selic deve recuar a níveis inferiores a 7% no início de 2018. Por outro lado, ainda há prêmio embutido ao longo do ano que vem, equivalente a um aperto monetário de quase 1 ponto percentual. A projeção para a Selic permaneceu em 7% neste e no próximo ano - embora alguns economistas vejam espaço para uma queda mais forte, para 6,5% ou 6,75%.


No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 subiu a 7,300% (7,270% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2021 avançou a 8,800% (8,730% no ajuste anterior). O dia contou com volume contido de negócios em relação à média, apesar de ficar próximo do que geralmente é trocado de mãos nas segundas.


Entre vencimentos mais longos, o DI janeiro/2023, por sua vez, registra 9,520% (9,390% no ajuste anterior).

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