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Juros futuros registram queda em dia de divulgação de ata do Copom

31/10/2017 18h12

O mercado de juros futuros da BM&F chega ao fim do mês em tom mais positivo, com queda das taxas de vencimentos médios e, em menor intensidade, longos. Mas trata-se apenas de uma correção técnica, após as fortes altas dos últimos dias e que colocaram os investimentos prefixados a caminho do pior mês em dois anos.


Em outubro até dia 30, o IRF-M - índice da Anbima que mensura os retornos de uma carteira de títulos públicos prefixados - acumula variação positiva de 0,07%. Mantido nesse ritmo,o mês será o mais fraco desde setembro de 2015 (-0,94%).


O aumento dos receios políticos, que tornaram o cenário para a reforma da Previdência ainda mais turvo, e a firme alta do dólar em meio a um ambiente externo mais arisco justificam o desempenho do mercado neste mês. Para novembro, a expectativa é que o noticiário doméstico tenha mais peso, à medida que podem ir a público mais notícias ligadas às eleições de 2018. O ambiente externo pode se mostrar menos volátil, especialmente se for confirmada uma nova presidência do Federal Reserve (Fed, BC americano) alinhada à atual.


Nesta terça-feira, ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2019 - que reflete apostas para a Selic ao fim de 2018 - caía a 7,270% ao ano (7,330% no ajuste anterior). O DI janeiro/2020 recuava a 8,370% (8,430% no último ajuste). O DI janeiro/2021 cedia a 9,170% (9,190% no ajuste de ontem). Mas o DI janeiro/2023 tinha taxa de 9,880%, 1 ponto-base acima do ajuste de ontem.


Hoje, mesmo alguns vencimentos de curtíssimo prazo - meses de 2018 - registraram quedas. As vendas ocorreram no dia da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O documento foi interpretado como mais "dovish" (voltado para o afrouxamento monetário) comparado ao comunicado da semana passada, uma vez que, para profissionais do mercado, se mostrou menos comprometido com os movimentos da Selic no começo do ano que vem.


O BTG Pactual, por exemplo, vê como "maior" a chance de a Selic terminar o atual ciclo de cortes em 6,5% ao ano, em comparação à probabilidade atribuída a esse cenário após a divulgação do comunicado do Copom, há uma semana. Eduardo Loyo e Claudio Ferraz consideram que o parágrafo 24 da ata renovou a força de expectativas de que a Selic pode ser novamente reduzida em 0,50 ponto em fevereiro, colocando esse movimento entre as demais opções (estabilidade ou corte de 0,25 ponto).


Outro ponto que, para o BTG, indica um Copom ainda menos comprometido com a decisão de fevereiro (portanto, disposto a cortar a Selic abaixo de 7%) está no parágrafo 12, no qual os membros do colegiado do BC citam que, "em decorrência dos níveis atuais de ociosidade na economia, revisões marginais na intensidade da recuperação não levariam a revisões materiais na trajetória esperada para a inflação".


O cenário-base do banco, porém, ainda é de juro básico em 7% - corte de 0,50 ponto percentual em dezembro e nenhum em fevereiro. O próximo cenário "mais plausível" é de Selic a 6,75% (declínio de 0,25 ponto em fevereiro).


O Goldman Sachs também diz que o Copom "certamente" deixou a porta aberta para um corte de 0,25 ponto percentual ou de 0,50 ponto no começo do próximo ano. Porém, o banco ressalva que o cenário parece não dar "sinal verde" para uma Selic abaixo de 7%.


Para Alberto Ramos, diretor de pesquisas econômicas do banco na América Latina, essa visão se torna mais relevante quando se leva em conta que a recuperação cíclica da economia parece estar mais ampla e que, devido aos "lags" da política monetária, qualquer estímulo monetário de curto prazo oferecido por uma Selic abaixo de 7% acabaria impactando a demanda final no segundo semestre de 2018 e primeiro semestre de 2019. Nesse ponto, segundo Ramos, a economia pode estar crescendo a taxas acima da média e, portanto, sem necessidade de estímulos monetários adicionais.

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