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Pressão externa mantém Ibovespa no terreno negativo; dólar sobe

O principal índice da B3 volta a operar em queda nesta terça-feira (30), pressionado pela onda de realização de lucros que se observa nos mercados internacionais. Exatamente como ocorreu ontem (29), o início dos negócios em Wall Street só acentuou a tendência e baixa do Ibovespa, confirmando que a correção de preços tem mais elementos externos do que locais.


Às 13h20, o Ibovespa caía 0,91% para 83.925 pontos.


O Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, informa que o avanço do yield dos bônus está por trás desse movimento de correção, ao reduzir o poder de atração dos ativos de risco. Apesar de não se ter decretado ainda o fim para o rali das ações, o debate sobre a extensão do avanço tende a ganhar força - o que influencia as bolsas globais de forma geral.


Para o chefe de renda variável da CM Capital Markets, Fabio Carvalho, ainda é cedo para acreditar que o ambiente positivo para as bolsas acabou. "É um movimento que não foi revertido, porque a dinâmica global ainda é de farta liquidez", diz. "Existe um desconforto com a proximidade do Fed, com Donald Trump, mas isso tende a ser passageiro."


No Brasil, embora os preços das ações já tenham subido bastante recentemente, Carvalho diz que há muitas boas oportunidades de papéis, que seguem atraindo o investidor, inclusive o estrangeiro. "Esse investidor estrangeiro tem se norteado pela taxa livre de risco e muitas empresas aqui ainda oferecem um prêmio atrativo, considerando as expectativas de crescimento", explica.


Entre as ações, o Fibria ON volta a destoar e tem alta de 1,04%, liderando o Ibovespa no horário. Embora o lucro líquido tenha ficado abaixo do esperado (R$ 278 milhões, ante projeção média de R$ 547,8 milhões), analistas viram bons resultados operacionais.


Além disso, o mercado repercute a notícia do Valor de que a Fibria e a Eldorado Brasil estão estudando a combinação de suas operações em Três Lagoas, a partir da constituição de uma nova empresa.


Mas papéis com grande peso sobre o índice prosseguem em queda forte. Petrobras PN recuava 1,36%. A petroleira deve contratar linha de crédito de US$ 3 bilhões, segundo apurou o Valor.


Já Vale ON tinha queda de 0,95%. E Itaú tinha desvalorização de 1,59%.


Dólar


O mercado de câmbio brasileiro volta a exibir desempenho pior que seus pares nesta terça-feira. O dólar sobe ante o real pelo terceiro pregão seguido e já devolveu mais da metade da queda registrada em meio à euforia com a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 24.


Às 13h11, o dólar comercial subia 0,87%, a R$ 3,1840. O dólar para fevereiro tinha alta de 0,67%, a R$ 3,1853.


Entre o fechamento de terça-feira, véspera do julgamento de Lula, e a mínima em quatro meses registrada na sexta-feira, a cotação chegou a acumular queda de 3,57%.


A moeda americana ganha terreno frente a outras divisas emergentes, mas contra o real o fôlego é maior. O movimento corrobora leitura de que o otimismo com os últimos desdobramentos políticos pode ter alcançado seu auge. E, assim, o mercado precisa de mais catalisadores para levar a cotação a patamares ainda mais baixos.


Da agenda local, há expectativas pela divulgação amanhã (31) de pesquisa Datafolha com intenção de votos para presidenciáveis. Será a primeira grande sondagem a ser reportada após o julgamento do TRF-4, que confirmou a condenação de Lula e aumentou a pena contra o petista.


Mas o cenário externo também deve ditar volatilidade nesta semana, com a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, BC americano) amanhã e a divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, na sexta-feira (2).


Como um todo, alguns analistas ainda se mostram positivos com o real. Para estrategistas do Morgan Stanley, a performance mais fraca da moeda brasileira em relação a seus pares deve ser revertida à medida que ocorrer esperada queda dos prêmios de risco.


Juros


O mercado de juros futuros da B3 volta a experimentar elevações de taxa nesta terça-feira, mas ainda em magnitude moderada. O clima de maior atenção no exterior - onde os rendimentos dos Treasuries prosseguem com sua escalada e as bolsas de valores de Nova York ensaiam realização de lucros mais intensa - ajuda a adicionar algum prêmio de risco nos trechos mais longos da curva da B3.


Mas, de maneira geral, o mercado pausa as vendas de taxa à espera de novos desdobramentos no campo político.


Às 13h28, o DI janeiro/2023 subia de 9,51% no ajuste de ontem, para 9,56% ao ano. o DI janeiro/2021 saía de 8,79% para 8,83%.


"O mercado deve se voltar cada vez mais para a agenda doméstica", diz Luis Laudísio, da Renascença, segundo o qual outro tema volta ao radar do mercado: a reforma da Previdência. "Não acho que o mercado vai reagir tão mal em caso de não haver votação em fevereiro. Reagiria melhor se houvesse a surpresa de acontecer a votação", completa.

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