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BC pausa venda de dólares pela 1ª vez desde 11 de maio

O Banco Central interrompeu, nesta terça-feira, as ofertas líquidas de swap cambial ao mercado. Pela primeira vez desde 11 de maio, a autarquia deixou de vender novos contratos dos derivativos. E mesmo sem o efeito dessas operações - que equivalem à venda de dólar no mercado futuro - a moeda americana fechou bem perto da estabilidade por aqui.

A resiliência ainda fica evidente numa comparação do real com as principais divisas do mundo. Num dia de firme alta do dólar e de pressão sobre ativos de risco, a moeda local terminou a sessão entre os dez melhores desempenhos do dia, perto de outros emergentes como peso colombiano e peso mexicano.

O comportamento do mercado, na avaliação de operadores, indica que o BC foi bem-sucedido em conter um componente especulativo no câmbio. A autarquia cumpriu sua promessa de injetar o equivalente a US$ 24,5 bilhões em swaps entre as sessões de 8 a 15 de junho. Desde meados de maio, as vendas líquidas de swap já somam US$ 39,6 bilhões, que dobrou o estoque para US$ 63,4 bilhões. Os dirigentes do BC estimam ofertar US$ 10 bilhões ao longo desta semana - dos quais US$ 1 bilhão já foi feito ontem - e se dispuseram reforçar o armamento caso seja necessário.

A decisão de juros no Brasil, nesta quarta-feira, é um elemento chave para o mercado de câmbio. "É uma grande oportunidade para o BC corrigir o desconforto gerado pela surpresa com a última decisão da Selic, quando a comunicação foi duramente criticada", diz o profissional de Tesouraria de um grande banco brasileiro. "O BC pode nem precisar usar toda a munição guardada para essa semana se o vier um discurso claro, convicto", acrescenta.

Por outro lado, um discurso que não consiga dissociar políticas de câmbio e juros deve abrir espaço para nova rodada de turbulência no mercado. "Desta vez, o mercado ainda não desafiou o BC e os juros futuros estão até caindo", acrescenta o profissional acima. Depois de precificar até um abrupto aperto monetário, o mercado de taxas caminha hoje para a estabilidade da Selic, no nível atual de 6,50%.

Hoje, o dólar comercial fechou em alta de 0,20%, a R$ 3,7474. Por volta das 17h13, o contrato futuro para julho caía 0,04%, a R$ 3,7510. A trégua no mercado, de acordo com operadores, também conta um fator técnico. Já como o dólar teve firme alta por aqui no começo do ano, o espaço para correção também é maior.

A relativa trégua do mercado de câmbio nesta terça-feira não significa que um ponto de equilíbrio já tenha sido encontrado. O nervosismo no mercado pode prevalecer daqui para frente, pelo menos, até que haja uma sinalização mais clara do campo político. Por ora, na visão do profissional de Tesouraria de outro banco, falta compromisso dos candidatos à Presidência com os ajustes que precisam ser feitos na economia.

"Ainda não tem nada que ajude para apostar numa melhora do cenário", diz um especialista. "O mercado de câmbio vai continuar nervoso até uma sinalização mais positiva do quadro político", acrescenta.

Em um prazo mais longo, a tendência cambial será ditada pelos fundamentos, os quais, em cenários sem reforma da previdência e outras ações desfazendo a camisa de força dos gastos obrigatórios (em âmbito federal e regional), poderão sofrer forte pressão, diz o Rabobank Brasil. Essa perspectiva negativa pode fazer a taxa de câmbio cruzar o patamar de R$ 5 por dólar no final do ano. "Este não é nosso cenário básico, mas é um risco a ser considerado em função das incertezas atuais (especialmente de ordem política)", aponta o banco em nota.

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