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Passageiros estão sendo espremidos em avião, e EUA estudam se isso é seguro

Poltronas mais apertadas podem dificultar a evacuação em caso de emergência - Joel Silva/Folhapress
Poltronas mais apertadas podem dificultar a evacuação em caso de emergência Imagem: Joel Silva/Folhapress

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

20/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Agência de aviação dos Estados Unidos vai fazer testes para determinar a distância mínima entre os assentos
  • Em caso de emergência, os aviões devem ser evacuados completamente em até 90 segundos
  • A preocupação é que o espaço reduzido pode dificultar essa evacuação
  • No Brasil, a Anac não determina um espaço mínimo entre as poltronas

Os assentos dos aviões comerciais estão cada vez mais apertados para que as companhias aéreas possam levar mais pessoas a cada voo. Isso, porém, pode afetar não apenas o conforto dos passageiros, mas também a segurança em caso de uma emergência.

Os regulamentos internacionais determinam que um avião deve ser completamente evacuado em, no máximo, 90 segundos em situações emergenciais. O menor espaço entre as poltronas pode dificultar essa evacuação.

Além de ter mais pessoas a bordo, a FAA (Agência Federal de Aviação, na sigla em inglês) dos Estados Unidos também está preocupada com o fato de que os norte-americanos estarem mais gordos. Um cidadão médio está quase cinco quilos maior do que há duas décadas.

Testes com voluntários

A FAA quer determinar qual o espaço mínimo entre as poltronas é seguro para casos de evacuação de emergência. Para isso, a agência norte-americana deve realizar uma série de 12 testes com cerca de 720 voluntários no próximo mês. Segundo a FAA, devem ser convocadas pessoas de vários perfis que representem a média da sociedade norte-americana.

"Até o final deste ano, a FAA planeja concluir os testes de evacuação para determinar quais mudanças regulatórias são necessárias para aprimorar os regulamentos. Os testes serão feitos usando um simulador de cabine capaz de utilizar múltiplas configurações", afirmou a agência em um comunicado.

De acordo com os resultados obtidos, a FAA vai determinar quais deverão ser as medidas mínimas de largura, comprimento e distância entre os assentos. Os testes são uma determinação do Congresso norte-americano, que aprovou no ano passado uma resolução que obriga a FAA a reavaliar as condições de segurança dos assentos dos aviões.

Assentos podem ficar ainda mais apertados?

Atualmente, não há um regulamento que determine a distância mínima entre os assentos. Em geral, as companhias de baixo custo, que possuem os aviões mais apertados, contam com 71 centímetros entre as poltronas. A distância é medida do ponto de fixação de um assento na aeronave ao mesmo ponto de fixação do assento à frente.

Os novos testes da FAA podem chegar a três conclusões:

  1. Essa é a distância mínima necessária para uma evacuação de emergência segura
  2. Essa distância de 71 centímetros não é suficiente, e as empresas terão de ampliar o espaço
  3. Dá para apertar mais o passageiro e ainda assim será possível evacuar o avião em 90 segundos

Nesse último caso, ficará a critério das companhias aéreas alterar ou não a configuração interna de seus aviões.

Como é no Brasil

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) não determina uma distância mínima entre os assentos que as companhias devam seguir. No entanto, a agência criou em 2010 um selo que classifica o conforto a bordo. O selo criou cinco categorias de acordo com a distância mínima entre dois assentos instalados no avião.

  • A: maiores ou iguais a 76 cm
  • B: de 73,5 cm a 75,9 cm
  • C: de 71 cm a 73,4 cm
  • D: de 68,5 cm a 70,9 cm
  • E: de 66 cm a 68,4 cm

Os aviões utilizados pelas companhias aéreas brasileiras receberam selos das categorias A, B e C.

"No mundo todo, a regulação da aviação civil trata especificamente dos aspectos de segurança e não estipula critérios relativos ao conforto dos passageiros, já que essa percepção é subjetiva e varia de acordo com cada usuário", afirmou a agência.

Segundo a Anac, a única exigência é que as companhias aéreas comprovem que conseguem evacuar o avião em menos de 90 segundos em situações de emergência.

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