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Caça soviético dos anos 50, MiG-21 é o jato militar mais produzido no mundo

Caça soviético MiG-21 teve mais de 11 mil unidades produzidas - Wikimedia
Caça soviético MiG-21 teve mais de 11 mil unidades produzidas Imagem: Wikimedia

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/02/2021 04h00

Desenvolvido nos anos 1950, em plena Guerra Fria (tensão entre União Soviética e EUA) e com mais de 11 mil unidades produzidas, o caça soviético MiG-21 é o jato militar mais produzido no mundo. O feito consta até mesmo do Guinness World Records, o livro dos recordes (original em inglês). O jato supersônico ficou em linha de produção por quase 60 anos e operou em mais de 60 países.

O sucesso do MiG-21 é atribuído ao fato de ser um avião simples, mas bastante eficiente para as missões, com destaque para sua performance em voo. O MiG-21 foi uma evolução dos primeiros caças soviéticos, como os subsônicos MiG-15 e MiG-17 e o supersônico MiG-19. Esses modelos também eram caças bem eficientes, mas que ficaram obsoletos rapidamente com as novas tecnologias que surgiram na época.

Lições da Guerra da Coreia

Na metade da década de 1950, os soviéticos da Mikoyan-Gurevich iniciaram o desenvolvimento do MiG-21 com todas as lições aprendidas na Guerra da Coreia. Com os aperfeiçoamentos, o MiG-21 se tornou o primeiro caça soviético a atingir a velocidade de Mach 2 (o dobro da velocidade do som).

O caça soviético se tornava, assim, um avião extremamente veloz e capaz de realizar manobras com muita eficiência. Seu principal rival era o norte-americano McDonnell Douglas F-4 Phantom II, que tinha vantagem tecnológica, mas perdia do avião soviético na capacidade de manobra.

Grande longevidade

Embora novas tecnologias tenham surgido ao longo das décadas, o MiG-21 permaneceu um ótimo combatente. É que os caças mais modernos não voam muito mais rápido do que o MiG-21, nem manobram com muito mais habilidade.

Nem por isso o caça ficou parado no tempo. Ao longo de sua história, o MiG-21 passou por diversas atualizações. Foram pelo menos quatro gerações e mais de uma centena de variantes para atender a missões específicas de combate.

Isso fez com o MiG-21 tivesse uma longevidade invejável, o que permitiu que se tornasse o caça mais produzido na história da aviação. Ao todo, a União Soviética fabricou 10.645 unidades entre entre 1959 e 1985.

Produzido além da União Soviética

Outros países também produziram o caça sob licença. A Índia fabricou 657 aviões e a Checoslováquia outras 194 unidades. Na China, o caça ganhou o nome Chengdu J-7 e cerca de 2.400 unidades foram produzidas entre 1966 e 2013.

O MiG-21 ganhou fama durante a Guerra do Vietnã, mas participou também de diversos outros combates especialmente na África, Ásia e Oriente Médio.

Pequeno com poder de fogo

O caça soviético é um avião pequeno, mas com poder de fogo. São 14,7 metros de comprimento e 4,1 metros de altura. O MiG-21 tem capacidade apenas para um piloto. Com um motor turbojato, o caça atinge 2.175 km/h, ou duas vezes a velocidade do som.

Embora seja um caça leve, o MiG-21 tem um grande poder de fogo. O avião tem capacidade para carregar um canhão de 23 mm. Nos quatro compartimentos de armas, o caça pode levar mísseis, bombas e foguetes.

Mesmo fora de produção há anos, o caça soviético segue em operação em mais de uma dezena de países, com destaque para Angola, Coreia do Norte, Croácia, Cuba, Líbia e Mali.

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