A Terra Prometida e o Deserto Antes: concurso exige voto de confiança

William Douglas

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Série: A Terra Prometida e o Deserto Antes

Parte VI – Voto de Confiança

Dando sequência à série de artigos que iniciei há alguns meses aqui no UOL, na qual narro a história de Concurciro, um rapaz pobre que resolve aceitar o desafio dos concursos e dá seus primeiros passos nessa grande aventura, hoje, entraremos na etapa de superação dos desafios.

No último episódio, Concurciro começou a mudar sua atitude e postura perante o estudo. Otimizou seu tempo, começou a trabalhar como voluntário na biblioteca de um cursinho próximo e diminuiu o ritmo da vida social -- para preocupação de sua mãe, descontentamento da namorada e escárnio dos irmãos.

Mesmo com todas essas pressões contrárias, Concurciro não estava pensando em desistir. O quadro horário e os livros do cursinho ajudaram muito na sua preparação. Aquele desgosto pelos livros logo se transformou em tolerância, depois em interesse, depois em amor. Concurciro já não conseguia desgrudar dos livros, sempre com um debaixo do braço, aproveitando as filas, as salas de espera, o transporte...

Depois de um tempo, parou de dar atenção às críticas dos irmãos, mas conversou com sua mãe sobre seu projeto. Dona Esperança não entendia bem. Eles tinham uma vida boa, afinal, mas vendo o filho pedindo um voto de confiança, aquiesceu.

Concurciro havia entendido que sua mãe só estava com medo: medo dele se frustrar, medo dele não passar, medo de que ele se afastasse dela. Resolveu colocar a mãe para assistir o vídeo do "guru" sobre a importância do apoio da família. Com a bênção da mãe garantida, ele seguiu em frente na preparação.

A caminhada para a biblioteca rapidamente se tornou uma corridinha e Concurciro perdeu peso. Notou que também estava mais atento e disposto para estudar e trabalhar, o que foi um efeito colateral muito bom. O bom trabalho e a dedicação do concurseiro não passaram despercebidos pelos alunos e professores do cursinho, que se cotizaram para surpreendê-lo com uma bolsa de monitoria. Além de trabalhar na biblioteca, Concurciro, agora, ajudaria na preparação das aulas e, melhor ainda, poderia assisti-las.

A namorada, ciumenta, resolveu conferir de perto o trabalho de Concurciro e se matriculou no cursinho. Ela participou do ratatá para a bolsa de monitoria. Foi a forma que encontrou de pedir desculpas por ter ficado chateada e demonstrar que estava apoiando sua preparação.

Com a bolsa, Concurciro conseguiu se inscrever no INSS e se preparou. Fez a prova da melhor maneira possível, mas não passou. Respirou fundo e seguiu em frente, porque: "Concurso não se faz para passar, mas até passar" (Mantra n.2)".

Revisou as questões, identificando seus erros. Utilizou esse parecer para focar os estudos naquilo que ainda não teve bom resultado e se inscreveu no próximo concurso que surgiu. Passou, mas não foi chamado. Ele não desistiu.

A jornada de Concurciro ainda não acabou e a sua também não! Reprovações fazem parte da jornada. É necessário saber contorná-las e utilizá-las para aprimorar a preparação. Esperamos que a história de nosso herói continue inspirando e estimulando a sua própria história.

Aproveite para nos contar um pouco mais sobre você: como se interessou por concursos, quais foram suas primeiras percepções, qual sua experiência mais impactante com provas e o que está achando dessa aventura. E não perca o último capítulo dessa jornada épica rumo à aprovação.

William Douglas

William Douglas é juiz federal, autor e professor.

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