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Vale a pena investir nas ações da IRB?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

26/06/2020 20h00

As ações da resseguradora IRB Brasil foram as que mais subiram na Bolsa hoje. A motivação da alta, na contramão da Bolsa brasileira, é explicada por uma parcial recuperação da credibilidade perdida nos últimos meses pela empresa. Será que vale a pena investir na IRBR3, ações da resseguradora IRB Brasil?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir o que está acontecendo com a IRB para você chegar à conclusão se vale ou não a pena investir na empresa.

O que aconteceu com a IRB?

Nos últimos meses, pairaram sobre a companhia suspeitas de irregularidades fiscais, levantadas inicialmente pela Squadra Investimentos, além de alguns casos polêmicos envolvendo (acredite se quiser!) Warren Buffet, e o atraso da divulgação do balanço referente ao primeiro trimestre desse ano, que já deveria ter sido divulgado em maio, e agora está prometido para a segunda-feira, 29.

Um caso particular piorou a imagem da empresa no início de 2020, quando uma notícia falsa de que a Berkshire Hathaway, onde Warren Buffet é diretor, teria triplicado sua participação acionária na IRB, o que fez as ações da resseguradora subirem muito no pregão do dia, já que sinalizaria uma confiança extra de uma das principais empresas de investimentos globais.

Quando a notícia foi desmentida, com a Berkshire negando possuir qualquer ação da empresa, a desconfiança aumentou e as ações caíram. Diversas demissões ocorreram por conta desse episódio, inclusive de alguns diretores.

Hoje, entretanto, a IRB informou que foi concluída a investigação que identificou os responsáveis por essa confusão, sem revelar seus nomes.

Adicionalmente, também informou que a nova diretoria da empresa identificou irregularidades no pagamento a um ex-diretor e outros ex-funcionários que somaram R$ 60 milhões, além da recompra irregular de ações em volume superior ao autorizado por seu conselho administrativo em fevereiro e março desse ano. Mas, todos os "responsáveis primários já identificados por todas estas irregularidades apuradas não integram mais os quadros da companhia", segundo a IRB.

Anteriormente nessa semana, a IRB ainda anunciou um plano de reforma de governança, dentre elas:

  • A possibilidade de emissão de novas ações dentro de um limite estabelecido;
  • A possibilidade de a diretoria executiva ter entre quatro e sete diretores dependendo da necessidade da IRB;
  • A criação de uma reserva de lucro que possibilite que o IRB cumpra regras de margem de solvência, custeie despesas operacionais e realize investimentos.

Sobre essas novidades, as avaliações dos investidores são mistas, lembrando que a IRB poderia emitir novas ações para resolver problemas de liquidez, o que diluiria a participação dos atuais acionistas em um momento em que as ações estão com seus preços baixos.

Apesar de a flexibilização do quadro de executivos e a reserva de lucros terem sido mais bem vistas, pois poderiam melhorar a gestão e problemas de liquidez da empresa, outros investidores e analistas olham com ressalvas para essas novidades e aguardam a divulgação do balanço trimestral da IRB, adiado novamente para o dia de 29 de junho, onde poderão ser conhecidos os números da empresa com mais detalhes.

Diante dessa novela, ainda há conselhos mistos entre os investidores sobre se vale ou não a pena investir nas ações da IRB.

Essa resposta encontrará maior respaldo na próxima divulgação de balanços da empresa no início da semana que vem, caso não seja novamente adiada.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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