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Pequeno investidor vai poder começar a investir em ações estrangeiras

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

11/08/2020 18h20

Investir em ações americanas, ou de qualquer outro país, até hoje, era algo restrito a grandes investidores com mais de R$ 1 milhão, com poucas exceções. Mas, a partir do mês que vem, qualquer investidor poderá investir em ações como Apple, Microsoft, Facebook e Nike.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir o que é uma BDR, que permite a você investir em ações de empresas de outros países, e o que mudou para que todo mundo possa ter acesso a isso.

A partir de 1º de setembro, todos os investidores brasileiros passarão a ter direito a investir em mais ações internacionais a partir de BDRs.

A CVM anunciou a mudança da regra que dizia que apenas grandes investidores com mais de R$ 1 milhão investidos podiam ter acesso às BDRs nível 1, que representam a maioria das BDRs. A partir de setembro, não haverá mais essa exigência.

BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são certificados que representam ações de empresas estrangeiras. Ao investir daqui do Brasil em uma BDR de uma ação americana, por exemplo, a ação negociada na Bolsa dos Estados Unidos fica depositada e bloqueada em um agente custodiante, garantindo que ela é sua.

As BDRs são divididas em níveis 1, 2 e 3, sendo que as de nível 1 têm menos exigências regulatórias e de informações prestadas ao investidor, se tornando um investimento mais "arriscado" que as de nível 3, resumidamente.

Além dessa novidade, as empresas brasileiras que possuem receitas no Brasil mas abriram capital (lançaram suas ações) fora do Brasil, como é o caso da XP, Stone e PagSeguro, também poderão negociar suas ações na B3, o que facilita, e muito, o acesso a esses investimentos.

Outra inovação virá do fato de que será permitido que as BDRs sejam lastreadas em títulos de dívida de empresas registradas na CVM. Isso é útil, pois em caso do lançamento inicial de novas ações (IPOs) em Bolsas de outros países, nas quais ainda não há ações emitidas para servirem de lastro, as BDRs poderão ser emitidas e os brasileiros poderão participar dessa rodada inicial de investimentos do lançamento de uma ação.

Para investir em uma BDR, basta checar se sua corretora disponibiliza esse serviço e sempre verifique a taxa de corretagem para esse tipo de operação para não inviabilizar seu investimento.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.